Não faça promessas; crie hábitos!

Não faça promessas; crie hábitos!

promessaNão faça promessas; crie hábitos!


“Decisões de final de ano” já se tornaram um fenômeno cultural. A travessia de um ano para outro geralmente é marcada por decisões e promessas que visam a melhoria em algum aspecto da vida. Fazer regime, controlar os gastos, dominar o temperamento, investir mais nos relacionamentos familiares etc., são algumas das promessas realizadas nessas ocasiões. Elas podem ser estruturadas no formato de listas ou apenas desejos mentalizados, mas são inevitáveis para certas pessoas.

qualquer pessoa que deseje mudanças deveria criar e manter hábitos diferentes em sua vida. Um hábito é algo que permanece, enquanto uma promessa pode durar apenas semanas.

De início, essas promessas parecem vazias e até tolas, mas a verdade é que cada uma delas carrega uma declaração profunda, um senso de necessidade de mudança pessoal e o desejo de melhorar algo que necessita “conserto”. Algumas delas abordam assuntos que se relacionam com os “sete pecados capitais”, as “sete virtudes cristãs” e até os “dez mandamentos”. Em essência, elas podem contemplar a luta contra a glutonaria, a preguiça, a ansiedade descontrolada, a necessidade de domínio próprio ou outras questões semelhantes. Logo, essas questões não são triviais, mas extremamente importantes.

Mas, se esses compromissos são tão significativos, por que eles são tão difíceis de serem cumpridos? Talvez um dos problemas seja que não os transformamos em hábitos, mas deixamos que eles permaneçam como meras expressões de boas intenções. Além do mais, algumas dessas promessas revelam apenas insatisfações pessoais, ao invés da convicção de algo na vida que desagrada a Deus. Em outras palavras, os problemas percebidos são centrados em nós mesmos, ou invés de uma convicção gerada pelo Espírito Santo acerca de algo que necessita de arrependimento genuíno. Além do mais, a perspectiva de mudança associada a essas promessas geralmente consiste apenas de uma estratégia diferente de lidar com alguma falha pessoal. Dessa forma, o poder de mudança reside tão somente no autor das promessas e não no Deus que efetua em nós tanto o querer como o realizar (cf. Fp 2.13). Com todas essas deficiências, não é de surpreender que as promessas de final de ano não sejam realmente concretizadas.

Ao invés de simplesmente fazer uma promessa, qualquer pessoa que deseje mudanças deveria criar e manter hábitos diferentes em sua vida. Um hábito é algo que permanece, enquanto uma promessa pode durar apenas semanas. Nossas atividades diárias (por exemplo, escovar os dentes, arrumar a cama, tomar café etc.) são geralmente resultados de hábitos cultivados e não de promessas. Hábito é um padrão de comportamento recorrente que se torna automático devido à frequência de sua repetição. Maus ou bons, hábitos se tornam gravados no inconsciente do indivíduo que nem se esforça mais para executá-los, pois eles já se tornaram parte da sua personalidade. Esses mesmos hábitos controlam o comportamento e contribuem para a formação (ou deformação) do caráter. Dessa maneira, a qualidade do caráter depende dos hábitos cultivados!

Os hábitos são poderosos por causa da dinâmica de funcionamento do cérebro humano. Por exemplo, nosso cérebro é tão sobrecarregado com decisões a serem tomadas, reflexões sobre a vida, respostas a serem dadas, atividades a serem realizadas etc., que ele está constantemente procurando maneiras de economizar esforços. Em outras palavras, nosso cérebro fica sempre tentando encontrar um “descanso”. Dessa forma, a partir do momento que ele consegue colocar algumas coisas no “piloto automático”, não precisa se esforçar mais por realizá-las. Isso é o que acontece quando um hábito é formado, ou seja, o cérebro o transferiu para o automático e passa a realizá-lo até de maneira inconsciente. Com isso, o hábito desenvolvido permite que o cérebro se preocupe com coisas que ele não está acostumado. No início parece difícil criar um hábito, mas o resultado final é extremamente benéfico.

Dessa maneira, quando alguém deseja uma mudança, pode até ter consciência de onde ou do que precisa ser melhorado, mas se ele não desenvolver o hábito correto, suas intenções poderão acabar em meras frustrações após tantas tentativas e nenhum benefício concreto. Por exemplo, a pessoa que promete ler mais a Bíblia durante o novo ano, somente conseguirá cumprir o desejado se ela perseverar diariamente nessa rotina até que a mesma se torne um hábito diário. De outra forma, ele lerá apenas alguns capítulos e logo desistirá. O mesmo ocorre que aquele que deseja compartilhar Cristo com os seus amigos. Ele não obterá sucesso se sua intenção não se tornar um hábito a ser praticado até inconscientemente. Assim, o segredo na formação de um hábito é a perseverança, a persistência! O hábito começa com uma rotina, é repetido continuamente e chega a um ponto em que passa a ser parte da personalidade do indivíduo e contribui na formação do seu caráter e sua santificação.

Dessa maneira, nesse novo ano, não faça apenas boas promessas; crie hábitos santos! O benefício deles será percebido a médio e longo prazo.

 

 

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