24 Horas – A Despedida Final

24 Horas – A Despedida Final

“e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”. (Ec 12.7)

Existe uma música do Grupo Vencedores por Cristo, que diz: “Se agora chegar o tempo de você se despedir, não só por algum momento, mas pra sempre da vida partir, qual será o seu procedimento? O que você fará?” A música fala de uma verdade que atinge a todos os seres humanos! Você já parou para pensar nisso?

Imagine a seguinte cena: Deus lhe informa que você tem apenas 24 horas de vida até o seu último suspiro. Parece filme de terror ou brincadeira de mal gosto? Pode ser, mas o fato é que todos nós estamos na iminência da morte. Diante disso, qual seria o seu procedimento recebendo uma notícia tão avassaladora como essa?

A morte é uma das certezas mais evidentes que temos. Ela não escolhe faixa etária, cor da pele, gênero, posição social, etc. Todos são atingidos por ela, ricos e pobres, cultos e incultos, honestos e desonestos, os justificados por Cristo e os injustos, ninguém escapa. Ela nivela todos a um mesmo patamar. Por outro lado, existe a insegurança e o medo daquilo que não é plenamente conhecido por nós, e é por essa razão que existe uma angústia no coração, de quase todas as pessoas, quando se fala em morte.

O Rev. Bruno Manoel S. Santos, ao fazer uma abordagem a respeito desse assunto, destaca algumas características da morte, a saber:

  1. A morte é punição: A morte é a punição prevista como penalidade pelo pecado (Gn 2.17). Em sua Teologia Sistemática, Hodge destaca que “segundo a Bíblia, a morte, no caso do homem, é um castigo. Ela foi a penalidade com a qual Adão foi ameaçado caso viesse a cometer alguma transgressão. Se não houvesse pecado, tampouco haveria morte” (Rm 6.23). [1]
  2. A morte é universal: A Bíblia registra: “portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5:12). Toda a humanidade foi atingida diretamente pela tragédia do pecado, tendo como consequência a morte física e também a espiritual.
  3. A morte é antinatural: Se vida longa foi prometida em troca de obediência (Êx 20:12) e era sinal do favor de Deus (Jó 5:26), então a interrupção da vida por mais longa que seja, indica que a morte não é natural. Esta é a razão pela qual sofremos tanto quando temos pessoas queridas a nós partindo desse mundo. Todos sabem que irão morrer e, na opinião de Hendriksen, “o que torna isto mais terrível é o fato de que a morte, na esfera humana […] não é simplesmente um fenômeno natural; mas basicamente, um castigo pelo pecado, uma imposição divina (Gn 2:17; Hb 9:27)”. Considera a morte como um dos elementos presentes na maldição que Deus pronunciou contra Adão e a sua posteridade (Gn 3:19). [2]
  4. A morte possui dimensões físicas, espiritual e eterna: Física, no sentido de que é a consequência direta da entrada do pecado no mundo por intermédio de Adão (Gn 3.19). Espiritual, porque, como diz Calvino “como a vida espiritual de Adão era permanecer unido e ligado a seu Criador, assim também, ao alienar-se dele veio-lhe a morte da alma” [3]. Eterna, porque Aqueles que permanecem em morte espiritual por toda vida e não creem no Filho de Deus, morrem em seus pecados (Jo 8.21,24), permanecem sob a ira de Deus (Jo 3.36) e, serão sentenciados a um estado de eterna separação de Deus, chamado pelas Escrituras de segunda morte (Ap 21.8).
  5. A morte é ausência: morte é ausência no plano terreno e físico do ser humano, pois põe fim a uma vida de devoção amorosa a Deus. (Sl 6.5; Sl 30.9; Sl 88). É na vida que Deus é louvado. Na vida terrena Deus mostra as suas maravilhas e suas qualidades sublimes de amor, fidelidade, bondade e justiça. A morte, então, ausentaria o homem desse privilégio aqui na terra.
  6. A morte pode ser esperança de vitória: Se por um lado, os privilégios de adorar a Deus sofrem ausência e interrupção no plano terreno, por outro, podemos receber a certeza bíblica de que eles se prolongarão eternamente nos céus. O profeta Isaías disse: “Tragará a morte para sempre, e, assim, enxugará o SENHOR Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o SENHOR falou” (Is 25:8). Paulo, ao escrever para a Igreja em Corinto traz esperança àquele povo, através das seguintes palavras: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo”. (1Co 15:55-57).

Diante da morte e da brevidade da vida, do último suspiro, da despedida final, qual é a sua esperança? Qual é o seu conforto? O Catecismo de Heidelberg em sua pergunta número 01, traz respostas consoladoras à essas perguntas, afirmando que: “O meu único conforto é que – corpo e alma, na vida e na morte – não pertenço a mim mesmo, mas ao meu fiel Salvador, Jesus Cristo, que, ao preço do seu próprio sangue, pagou totalmente por todos os meus pecados e me libertou completamente do domínio do pecado. Ele me protege tão bem que, contra a vontade de meu Pai do céu, não perderei nem um fio de cabelo. Na verdade, tudo coopera para o meu bem e o seu propósito é para minha salvação. Portanto, pelo seu Espírito Santo ele também me garante a vida eterna e me torna disposto a viver para ele daqui em diante, de todo o coração”.

Diante de todos os questionamentos que a morte traz ao nosso coração, busquemos consolo e esperança em Deus e em sua Palavra, para que possamos caminhar seguros rumo ao nosso destino final. Que a convicção da presença de Jesus seja real em nosso último suspiro!

Pr. Fábio B. Coutinho

[1] HODGE, C. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001. p.668-669.

[2] HENDRIKSEN, W. A vida futura segundo a Bíblia 1ª Ed. São Paulo: Casa Editora

Presbiteriana, 1988. p.24.

[3] CALVINO, J. As Institutas 2ª Ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. Volume 2, p.19

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