A Justificação pela Fé

A Justificação pela Fé

balançaJustificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo;” (Rm 5.1)

Nas conhecidas palavras do reformador Martinho Lutero, a justificação pela fé é “o artigo que faz uma igreja ficar de pé ou cair”. O verbo “justificar”, é um verbo de cunho forense e expressa, em sua essência, o ato de “absolver”, ou “declarar justo” alguém em um tribunal.

A justificação pela fé foi o grande princípio material da Reforma e a diferença central entre protestantes e católicos no século XVI. Através dela, os Reformadores corrigiram o erro de confundir o termo “justificação” com “santificação”. Eles distinguiram o caráter legal da justificação e a descreveram como um ato da livre graça de Deus pelo qual Ele perdoa os nossos pecados e nos aceita como justos aos seus olhos.

A herança reformada afirma que: Deus só justifica gratuitamente aqueles a quem Ele chama. Este é um ato soberano, divino e puramente judicial, no qual é imputada ao pecador a justiça de Cristo, e ainda é doado graciosamente ao homem o dom da fé, pela qual este crê e se apropria da justiça de Cristo, embora a nossa fé não tenha mérito algum diante de Deus. A base da justificação encontra-se somente na retidão perfeita de Jesus Cristo, o nosso Senhor.

A respeito da justificação podemos afirmar [1]:

1) A justificação é pessoal: e ela é individual, pois parte de um relacionamento particular com Jesus, que nos permite um acesso exclusivo ao Pai Celestial;

2) A justificação é um ato: é uma palavra usada no tribunal em relação a uma sentença dada por um juiz e por esta razão não é um processo, mas sim um veredito e uma resolução. Deus não nos torna justos, Deus nos declara justos neste momento;

3) A justificação é por imputação: num primeiro aspecto, Deus não esqueceu o nosso pecado e por causa de Sua santa justiça, o pecador precisa ser punido, mas o Senhor colocou nossa culpa sobre Jesus (Pv 17.15) e fomos propiciados pela sua morte. Num segundo aspecto, Deus atribuiu a justiça de Cristo a nós (2Co 5.21);

4) A justificação é pela fé somente: Nosso papel na justificação não é obedecer, de forma a adquirir algum mérito, mas ter fé em Cristo.

Packer resumiu o significado da justificação de um modo compreensivo quando afirmou que o tema da justificação é [2]: teológico ao declarar uma obra de surpreendente graça; é antropológico ao demonstrar que não podemos salvar a nós mesmos; é cristológico, pois baseia-se na encarnação e na expiação; é pneumatológico, já que é fundado na união com Jesus realizada pelo Espírito Santo; é eclesiológico, determinando a definição e a saúde da igreja; é escatológico, pois proclama o verdadeiro veredito final sobre os crentes aqui e agora; é evangelístico, ao convidar almas atribuladas à paz permanente; é pastoral quando nos identifica como pecadores perdoados, o que é básico para nossa comunhão. Ele afirmou ainda que, existe um aspecto litúrgico, pois é decisivo para a interpretação dos sacramentos e para dar forma aos cultos sacramentais. Segundo Packer, “Nenhuma outra doutrina junta tantas coisas preciosas e vivificantes”.

Portanto, a justificação é central para vida da igreja, não se trata de algo distante do cotidiano do crente. A justificação é real, efetiva, concreta e o crente deve viver seguro, pois o Autor da justificação é Deus. A Ele pois, toda honra e glória pelos séculos dos séculos.

Pr. Fábio Borges Coutinho

[1] DeYOUNG, Kevin. A Fé Que Nos Foi Dada. São Paulo: Cultura Cristã, 2013. Pp. 83-89.

[2] HOEKEMA, Anthony A. Salvos Pela Graça – São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 155.