A Maior Instituição do Mundo

A Maior Instituição do Mundo

Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” (Mt 28.18-19)

A igreja cristã é a instituição mais plena, absoluta e universal que este mundo já presenciou em toda a sua existência. Nesses mais de dois mil anos de história, nenhuma outra instituição conseguiu a representatividade que a igreja tem no mundo. Obviamente, essa visibilidade e perenidade se deve somente ao poder de Deus, à Cristo Jesus – seu edificador e o primeiro a falar sobre ela (Mt 16.18) e ao Espírito Santo que sustenta os servos que militam nessa grandiosa obra.

Calvino afirmou que, “[…] com o termo igreja, a Escritura designa toda a multidão de homens difundida no universo, que professa adorar a um só Deus e Cristo, que pelo batismo se inicia na fé, pela participação da Ceia, atesta a unidade na verdadeira doutrina e no amor, tem consenso na Palavra do Senhor e a sua pregação conserva o ministério instituído por Cristo” [1]. Essa era a firme convicção e maneira como esse renomado reformador do século XVI enxergava a igreja de Deus na terra.

Com base nesse conceito, quero trazer à memória um estilo de igreja que abalou o mundo em sua época – trata-se da igreja do primeiro século descrita em Atos 2.42-47. Ela começou na era apostólica, foi formada por homens e mulheres que amavam ao Senhor e impactou a sociedade em que estava inserida, demonstrando vida cristã obediente a Deus e amor ao próximo. Vejamos como viviam os convertidos da igreja do Novo Testamento:

1) Perseveravam na doutrina dos apóstolos (v. 42): Eles não eram levados por ventos de doutrina, pelas novidades do mercado da fé, mas permaneciam na Palavra ensinada pelos apóstolos do Senhor Jesus. Honravam as Escrituras e o seu Senhor. Tinham a Palavra de Deus como regra de fé e prática. Esse também deve ser o nosso comportamento nos dias atuais.

2) Perseveravam na comunhão (v. 42): Eles viviam como o salmista ensinava: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos” (Sl 133.1). Assim como aconteceu na igreja do século primeiro, ainda hoje Deus nos presenteia com irmãos para que tenhamos apoio mútuo, oração e incentivo em nossa caminhada cristã.

3) Perseveravam no partir do pão (v. 42): Eles se reuniam para juntos relembrarem a morte e a ressurreição de Cristo, enquanto celebravam a Ceia do Senhor. A lembrança da redenção trazia vigor espiritual para aquela comunidade. Ao redor da mesa do Senhor, sempre seremos edificados e unidos.

4) Perseveravam nas orações (v. 42): Estavam constantemente em oração. Uma verdadeira Igreja, um verdadeiro servo do Senhor tem prazer em estar na presença do Deus vivo com outros irmãos para serem intercessores junto ao trono da graça. Ainda hoje, temos a prerrogativa de intercedermos uns pelos outros.

5) Viviam com temor na alma (v. 43): Amavam a Deus, temiam pecar contra o Senhor e buscavam a santificação para suas vidas e para a Igreja de Deus. Lembravam-se do ensino de Jesus: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mt 4.8). Precisamos sempre nos lembrar do imperativo de Deus: “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16b).

6) Acreditavam na intervenção de Deus (v. 43): Não viviam para buscar milagres, mas acreditavam que o Senhor tinha todo o poder para operar maravilhas no meio deles. Viviam experimentando a ação de Deus em suas vidas. Nessa igreja, o Espírito Santo atuava confirmando a palavra dos apóstolos. Nosso Senhor não mudou, Ele é o mesmo ontem, hoje e será eternamente (Hb 13.8).

7) Eram sensíveis às necessidades uns dos outros (v. 44-45): Eles colocavam seus bens a serviço do Reino de Deus e dos irmãos necessitados. O amor que nutriam por Deus e pelos irmãos não era só de palavras, mas de fato e de verdade (1Jo 3.18). O Senhor Jesus afirmou: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35), e essa verdade ainda é válida para os nossos dias.

8) Reuniam-se no templo e nas casas (v. 46): A comunhão não se limitava apenas aos dias de cultos. Eles tinham alegria em receber os irmãos em seus lares. O cristianismo, para eles, não se limitava apenas ao primeiro dia da semana. Precisamos experimentar a doce comunhão fraternal, pois ela também é evidência de uma igreja cheia do Espírito Santo de Deus.

9) Tinham o coração grato (v. 46): Eles louvavam a Deus, alegravam-se no Senhor e deleitavam-se na adoração, que era contínua e sincera. Nossos cultos devem ser uma alegre celebração e expressão da mais sincera gratidão de nosso coração a tudo o que Deus faz a nosso favor.

10) Davam testemunho do Evangelho (v. 47): Aquela igreja testemunhava a respeito de Jesus, era luz nas trevas, sal em uma sociedade degradada (Mt 5.13-16). Havia um intenso ardor missionário e, por causa disso, contava com a simpatia de todo o povo. A igreja não deve se relacionar apenas internamente, mas também externamente, pois ela tem o privilégio de anunciar as Boas Novas do Evangelho na sociedade onde está inserida.

Nós somos os responsáveis por continuar a história do cristianismo e dar sequência a esse legado. Cabe à nossa geração demonstrar, ao presente século, o poder da maior instituição do mundo – a igreja do Senhor Jesus. Que Deus nos conceda a graça de sermos uma igreja segundo o coração dele.

 

Pr. Fábio B. Coutinho

 

[1] Calvino, João. As Institutas – Edição Clássica – Volume 04, Capítulo I – Cultura Cristã, pg. 33.

One Comment

  1. Maria Terezinha Borges Coutinho

    Essa pastoral é um estímulo para colocarmos em prática a palavra de Deus,e refletirmos seriamente, se temos cumprido com o nosso dever de cristão no meio em que vivemos.
    Que Deus continue abençoando e iluminando sua mente,querido Rev. Fábio Coutinho.

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *