À Procura da [Verdadeira] Felicidade

À Procura da [Verdadeira] Felicidade

Um dos grandes ideais contemporâneos, ventilado incessantemente pelas diversas produções artísticas, é a busca por felicidade. Já é consenso entre alguns estudiosos que vivenciamos uma “ditadura da felicidade” em nossa sociedade, uma vez que alcançá-la a qualquer custo se tornou obsessão coletiva. Muitos têm pautado todas as suas decisões e escolhas apenas pelo quesito “eu mereço ser feliz, então…”. Na prática, isso significa medir todas as coisas (fé, trabalho, relacionamentos, projetos, etc.) pelo crivo do bem-estar pessoal e, consequentemente, descartar aquelas que não propõem felicidade imediata.

Em vista disso, as livrarias estão lotadas de obras descrevendo fórmulas mais fáceis para se encontrar a felicidade; os consultórios de profissionais da saúde estão abarrotados de produtos e serviços – terapias, cirurgias estéticas e medicamentos –  que oferecem meios para ser feliz; as grandes marcas do mercado associam seus produtos à conquista da tão sonhada felicidade. Nesse sentido, a Coca-Cola propõe: “abra a felicidade”. O Magazine Luíza convida: “vem ser feliz”. O Pão de Açúcar afirma: “lugar de gente feliz”.

Certamente, não há problema em buscarmos a felicidade. O problema encontra-se no lugar onde a buscamos. O Catecismo Maior de Westminster diz que “O fim supremo e principal do homem e glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. Isso significa que a felicidade do ser humano está diretamente ligada ao propósito de sua existência: adorar a Deus. Logo, toda busca por felicidade que desconsidera a adoração ao Criador é inútil e fadada ao fracasso. Em resumo, não é possível experimentar genuína felicidade à parte de Deus.

Sendo assim, baseando-me no salmo 84, desejo destacar abaixo três princípios para experimentarmos a verdadeira felicidade. Esses passos consideram, antes de qualquer outra coisa, a fonte última de todo prazer: o próprio Deus e a adoração que lhe é devida.

Em primeiro lugar, a pessoa verdadeiramente feliz entende o valor da adoração comunitária.

O salmista afirma: “Bem-aventurados os que habitam em sua casa; louvam-te perpetuamente” (Sl 84.4). Anteriormente, ele já havia declarado: “Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos” (Sl 84.1). Os vários termos usados nesse salmo – tabernáculos, átrios, altares e casa – são sinônimos usados para descrever o templo e, sendo um dos filhos de Corá, da tribo de Levi, o autor desse salmo, ele destaca a alegria de servir no templo e de louvar a Deus ali. Logo, há uma ênfase explícita na adoração comunitária. Aqueles que permanecem na casa de Deus o servindo e adorando são verdadeiramente felizes!

Hoje, a adoração não está mais restrita ao templo. Quando questionado sobre o lugar da adoração genuína, Jesus afirmou “que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4.23). Contudo, descartar a adoração comunitária ou renegá-la a um papel secundário é desconsiderar o ensino bíblico sobre esse assunto. O fato de adorarmos a Deus em espírito e em verdade não implica necessariamente na exclusão da adoração comunitária em um lugar específico. Pelo contrário, somente a credencia ainda mais, uma vez que a reunião dos adoradores sinceros é parte dos planos de Deus para sua igreja. Isso significa que não é possível desfrutar da verdadeira felicidade à parte do povo que Deus chamou para ser verdadeiramente feliz.

Assim, você deseja ser verdadeiramente feliz? Una-se à uma igreja na adoração a Deus. Esse é o primeiro passo!

Em segundo lugar, a pessoa verdadeiramente feliz se fortalece no Senhor

O salmista continua: “Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados, o qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva. Vão indo de força em força; cada um deles aparece diante de Deus em Sião” (Sl 84.5-7). Nesses versos o salmista usa a imagem de um peregrino. Na caminhada até Sião (Jerusalém), ele recebe do Senhor a força para a jornada, ao passo que é transformado pelo próprio Deus em meio às dificuldades do percurso. No vale árido, Deus faz dele um manancial! O peregrino é feliz por estar no caminho correto, em direção ao destino correto e sob a proteção e o cuidado do Senhor.

Do mesmo modo, eu e você somos peregrinos nesse mundo. Em nosso percurso até ao lar celestial passamos também por “vales áridos”. Dificuldades e problemas certamente surgirão nessa jornada. Contudo, a verdadeira felicidade não está condicionada à falta ou à baixa intensidade dos problemas que enfrentamos, e sim ao Deus que nos sustenta com sua graça. Ou seja, verdadeiramente feliz não é quem não tem problemas. Verdadeiramente feliz é quem tem Deus como seu sustentador.

Você deseja ser verdadeiramente feliz mesmo em meio às dores da vida? Então, deposite sua fraqueza naquele que é verdadeiramente forte. Faça dele a sua força!

Em terceiro lugar, a pessoa verdadeiramente feliz se deleita no Senhor

Agora, o salmista diz: “Olha, ó Deus, escudo nosso, e contempla o rosto do teu ungido. Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus a permanecer nas tendas da perversidade (…) Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia” (Sl 84.9,10-12). Em outras palavras, ele está afirmando que nenhum prazer desse mundo era comparável ao prazer de desfrutar da presença de Deus e de confiar no seu cuidado. Ele diz preferir estar apenas à porta (fora) da casa de Deus a permanecer (dentro, por muito tempo) nas tendas da perversidade.

O ponto fundamental, então, não é se temos buscado prazer ou não. Inevitavelmente, todos nós, sedentos por natureza, estamos buscando prazer em algo ou em alguém. A única questão é: no que, ou em quem, nós temos buscado prazer? O salmista fez da casa de Deus, e, consequentemente, do próprio Deus, o deleite de sua vida. E nós, onde temos buscado a verdadeira felicidade? Em um relacionamento? No sexo casual? No dinheiro ou nos bens materiais? Em nosso trabalho ou em nossa carreira profissional?

Enfim, você deseja ser verdadeiramente feliz? Então, se deleite na fonte última de todo prazer: Deus. Busque nele o que nenhum bem ou pessoa pode lhe dar – a verdadeira felicidade!

Eron Franciulli C. Júnior

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