Conformados à imagem de Cristo – Humildes, Servos e Obedientes

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Sidney J. Harris (1917-1986), famoso colunista norte-americano, escreveu certa vez sobre o dia em que acompanhou um amigo a revistaria. Na ocasião, seu amigo ouviu palavras grosseiras do jornaleiro mesmo não havendo nenhum motivo aparente para isso. Entretanto, Harris se surpreendeu ao ver seu amigo ser educado e cordial com aquele que havia lhe maltratado. Ao deixarem o local, Harris questionou seu amigo, dizendo: “Por que você o tratou com bondade se ele sem motivo lhe tratou com grosseria”? Seu amigo lhe respondeu: “porque eu não quero ele defina o meu modo de agir”.1

Relacionamentos são complicados. Talvez seja esse o clichê com o qual mais estamos acostumados. Provavelmente, nesse exato momento, nos vêm à mente várias dessas “complicações” do nosso viver diário. O que nem sempre percebemos é que possuímos relacionamentos complicados, porque nós somos complicados. Nosso coração é complicado e nossas reações não ficam atrás. Logo, nossos relacionamentos quebrados e disfuncionais só refletem nosso coração, quebrado e disfuncional.

A Bíblia ensina que possuímos um coração enganoso (Jr 17.9), que se apressa em se satisfazer de todas as formas possíveis. Consequentemente, ao invés de sermos altruístas e cordiais, por vezes somos egoístas e rudes. Ao invés de agirmos com paciência e mansidão, somos geralmente dominados pela ira. Ao invés de perdoarmos quem nos ofende, esperamos ansiosamente pela primeira oportunidade para retrucar com uma demonstração de “nossa justiça própria”. Nesses momentos, somos ótimos em nos lembrar de mágoas e ofensas passadas, pois elas nos vêm à mente com rapidez e clareza inigualáveis. Quem dera tivéssemos a mesma disposição para nos lembrarmos dos preceitos de Deus nessas horas!

O apóstolo Paulo compreendia as dificuldades existentes na construção de relacionamentos saudáveis. Na carta aos Filipenses, no segundo capítulo, ele recomenda aos seus leitores que tenham o mesmo sentimento que houve em Jesus Cristo ao se relacionarem uns com os outros (Fp 2.5). No entendimento de Paulo, somente imitando a Cristo era possível construir relacionamentos saudáveis. Então, surge a pergunta: qual era o sentimento de Cristo? Podemos resumi-lo em apenas uma palavra: humildade. Paulo mostra aos filipenses que Cristo, em sua encarnação, foi humilde de três formas: a) abnegando do seu estado de glória; b) assumindo a forma de servo e; c) obedecendo até a morte (Fp 2.6-8). Permita-me, então, com base na cristologia paulina, deixar aqui três sugestões sobre como podemos expressar a humildade de Cristo e construir relacionamentos saudáveis e funcionais para a glória de Deus.

1. Para o bem de seus relacionamentos seja humilde, abandonando o orgulho. Por vezes, iludidos a nosso respeito, nós nos sentimos dignos de coisas das quais não somos. Somos pretensiosos achando que somos melhores que o nosso próximo. Se Cristo que não precisava abrir mão do seu estado de glória, pois era perfeitamente digno de tal estado, mas mesmo assim o fez, quem somos nós para nos orgulharmos daquilo que não somos?

2. Para o bem de seus relacionamentos seja humilde, servindo ao próximo. A consequência imediata de alguém que abandonou o orgulho é a capacidade de servir ao próximo. Pessoas orgulhosas não servem. Somente quem é humilde serve. Lembre-se das palavras do seu Redentor: “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mc 10.45) e imite-O.

3. Para o bem de seus relacionamentos seja humilde, obedecendo à vontade de Deus. Cristo obedeceu à vontade de seu Pai, mesmo que ela lhe custasse a vida, como de fato o custou. Seja obediente como seu Redentor. Ame a Deus sobre todas as coisas e ame ao próximo como a si mesmo (Mc 12.29-31). Afinal, é no amor ao próximo que demonstramos nosso amor a Deus (1Jo 4.20,21).

Enfim, Cristo foi humilde para adentrar o tempo e o espaço, e reconstruir o relacionamento quebrado que existia entre nós e Deus. Dessa forma, sejamos humildes – abandonando o orgulho, servindo e amando – como nosso Redentor, para que construamos relacionamentos saudáveis que glorifiquem a Deus.


1Disponível em: www.pensador.uol.com.br/harris. Acesso em 12 abr. 2016.

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