Discipline sua Imaginação

Discipline sua Imaginação

“Tais criaturas estranhas somos nós que provavelmente sofremos mais sob as calamidades que nunca se abatem sobre nós do que sob aquelas que realmente se abatem” [1] (Charles H. Spurgeon)

“Imaginações indisciplinadas são a causa do abatimento e da ansiedade” [2] (Elyse Fitzpatrick)

Você já se sentiu ansioso e abatido por algo que não chegou realmente a acontecer? Provavelmente, sim. Às vezes, nos angustiamos em extremo por todas as possibilidades desfavoráveis que nos cercam. Tememos perder aqueles a quem amamos; tememos ficar gravemente doentes; tememos ser pessoas fracassadas; tememos ser traídos e abandonados… enfim, todos temos uma extensa lista de males que, em nossa imaginação, tememos nos sobrevir algum dia.

Todavia, nem todos consideram que disciplinar nossa imaginação temerosa é algo que Deus requer de seus filhos. Segundo as Escrituras, nosso pensamento deve estar cativo “à obediência de Cristo” (2Co 10.5) e deve ser ocupado com tudo o que é verdadeiro, ou seja, o que não procede de mentira (Fp 4.8). Sendo assim, vejamos abaixo porque deveríamos diariamente disciplinar nossa imaginação. Como não se trata de uma lista exaustiva, certamente outras considerações podem ser acrescidas a essas.

  1. Porque uma imaginação temerosa desobedece a Palavra de Deus. Ficar constantemente imaginando e temendo tragédias possíveis – como a morte de um ente querido, a perda do emprego ou um diagnóstico desfavorável – e, antecipadamente, se abater com todas essas possibilidades como se elas fossem realmente acontecer é, sobretudo, desobediência à Palavra de Deus. A Bíblia é clara em exigir de nós pensamentos verdadeiros (que são reais!), respeitáveis, justos, puros, amáveis, virtuosos e louváveis (Fp 4.8). Qualquer imaginação que não se enquadre nesses termos está em desacordo com a vontade revelada de Deus para nós. Portanto, por meio da Palavra devemos disciplinar nossa imaginação temerosa. Quando pensamentos dessa natureza nos sobrevêm, devemos imediatamente rejeitá-los e suplicar: “Senhor, minha vida está em tuas mãos e o meu futuro a ti pertence. Ajuda-me a confiar no teu poder, na tua sabedoria e no teu amor por mim”.
  1. Porque uma imaginação temerosa afeta nossos relacionamentos com Deus e com o próximo.Quando vivemos sob o domínio do medo, passamos a nos proteger de todas as maneiras, a fim de evitar todo o sofrimento possível. Por causa disso, nos tornamos pessoas controladoras e egoístas. Ademais, nosso constante e solitário sofrimento mental nos faz sentir envergonhados, e até mesmo culpados, uma vez que em nossa mente o sofrimento imaginário se torna real. A verdade é que o medo nos transforma e, consequentemente, transforma nossos relacionamentos. Assim como no Éden, procuramos nos esconder de Deus, porque não queremos que ele veja nossa frágil e dolorosa situação. Evitamos também nossos próximos, porque de alguma forma tememos que eles nos machuquem ainda mais. Nossa imaginação temerosa nos conduz à uma vida solitária, opondo-se à vontade comunitária de Deus para nós (Fp 2.1-4).
  1. Porque uma imaginação temerosa afeta todo o nosso ser.Outra provável consequência de se viver sob o domínio de uma imaginação temerosa é a de ter a saúde prejudicada. Insônia, dores de cabeça, dores musculares, gastrite, desarranjo intestinal, náuseas, vômitos, hipertensão arterial e taquicardias são algumas formas do corpo responder ao constante medo imaginário. Nosso corpo foi criado por Deus com a capacidade de reagir rapidamente às situações de perigo que percebemos. Diante desses perigos, uma série de transformações físicas acontecem – a adrenalina e outros hormônios são liberados na corrente sanguínea, os músculos enrijecem, a frequência cardíaca e a respiração aumentam, a audição se aguça, etc. – a fim de que possamos responder a eles[3]. O problema é que nosso corpo não somente responde às ameaças reais que nos sobrevêm, mas também responde aos nossos medos imaginários. A médio-longo prazo, essa constante exigência do medo imaginário sobre o nosso corpo acaba causando problemas físicos mais sérios.

Enfim, devemos disciplinar nossas imaginações temerosas. Deus requer isso de nós. Ele deseja que lancemos sobre ele todos os nossos medos e ansiedades, porque ele já tem cuidado de nós (1Pe 5.7). Certamente, isso será “saúde para o nosso corpo e refrigério para os nossos ossos”.

Eron Franciulli Coutinho Júnior

[1]“Our Needless Fears”, um sermão entregue na noite de quinta-feira de 11 de junho de 1874 por C. H. Spurgeon no The Metropolitan Tabernacle, (retirado do livro Vencendo Medos e Ansiedades, de Elyse Fitzpatrick, Editora Fiel. Pág. 19).

[2]FITZPATRICK, Elyse. Vencendo Medos e Ansiedades. São José dos Campos: FIEL. Pág. 63.

[3]Ibidem. Pág. 21.

One Comment

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *