Dois Erros no Cuidado com os Pets

Dois Erros no Cuidado com os Pets

Muitos são os benefícios de se conviver um pet[1]. Melhor sociabilidade, menor estresse e maior senso de responsabilidade, além do incentivo à prática de atividades físicas, são algumas benesses de se ter um animal de estimação em casa.[2] Isso sem falar nas maluquices dos bichinhos, que geralmente rendem boas gargalhadas à família e ótimos vídeos nas redes sociais.

Segundo o IBGE[3], hoje, já são mais de 70 milhões de cães e gatos nas residências brasileiras e a tendência é que esse número continue aumentando.[4] Consequentemente, a demanda por alimentos, remédios e acessórios tem crescido de modo significativo, expandindo – e muito! – o segmento. Em 2017, o mercado pet movimentou nada menos do que 19,2 bilhões de reais.[5] Um número altamente expressivo se levarmos em consideração a crise econômica que o país experimenta nos últimos anos.

Entretanto, esse grande interesse por pets tem escondido alguns problemas, sobretudo a dificuldade que algumas pessoas têm de se relacionar equilibradamente com eles. À luz da Bíblia, há dois extremos nesse convívio que devem ser evitados: a falta de cuidado e o cuidado exagerado. Abaixo, considero esses dois ensinamentos bíblicos sobre o assunto.

  1. Falta de cuidado é crueldade. A Bíblia diz: “O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel” (Pv 12.10). Ou seja, toda tortura, descaso ou negligência nos cuidados básicos dos pets são atitudes reprováveis pela Escritura, uma vez que tais práticas não refletem o zelo que o próprio Deus tem para com sua criação (Gn 1.20-22). Somente os perversos agem assim. Portanto, devemos cuidar de nossos animais de estimação o melhor que pudermos. Na prática, isso significa alimentá-los, medicá-los quando necessário e zelar pela vida deles. Certamente, ninguém é obrigado a ter um pet, mas aqueles que se aventuram a tê-lo devem estar cientes de tais responsabilidades – para com os bichinhos e, sobretudo, para com o Criador deles. 
  1. Cuidado/atenção exagerado é idolatria. Por outro lado, há aqueles que exageram no cuidado de seus pets, muitas vezes igualando o valor do animal ao valor do ser humano – o que é um erro (a personificação dos animais). O homem e a mulher são as únicas criaturas que carregam a imagem de Deus (Gn 1.26,27). Essencialmente, eles estão acima de toda as outras coisas criadas (Sl 8.5,6). A eles foi dado o domínio sobre toda a criação – inclusive sobre os animais (Gn 1.28). Ou seja, os animais existem por causa do ser humano e não o contrário. Portanto, não devemos exagerar no cuidado de nossos pets, a ponto de torná-los “humanos”. Há limites nessa relação que devem ser observados, a fim de que o pet não se torne o “deus” da casa. E não apenas isso, mas o fato de que ele acaba recebendo um valor que Deus não lhe concedeu: ao invés do animal viver para servir ao ser humano, o ser humano vive servindo o animal. Nesse sentido, todo cuidado é necessário.

Enfim, esses são alguns princípios que a Palavra de Deus nos fornece sobre a nossa relação com os pets. Obviamente, a aplicabilidade deles pode ser diferente em cada caso. Contudo, a orientação bíblica para se ter equilíbrio nessa relação é válida e deve ser observada. Assim, é possível desfrutarmos da criação de modo a glorificar seu Autor.

Eron Franciulli C. Júnior

[1] Ao que tudo indica o termo “pet” surgiu no fim do século 14, no norte da Inglaterra, significando “animal domado”.

[2] http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-04-20/10-beneficios-dos-pets-a-saude-e-ao-bem-estar-humano.html

[3] Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

[4] https://exame.abril.com.br/carreira/mercado-pet-cresce-gracas-a-mudancas-no-comportamento-dos-donos-de-animais-de-estimacao/

[5] Idem.

One Comment

  1. Eliana Moura

    Texto oportuno, e a comparação do cuidado exagerado com idolatria elucidou o quanto devemos ter cuidado aos nossos exageros nas diversas questões, seja com os pets, com a alimentação, com o trabalho, com exercícios físicos, enfim tudo o que coloca mos acima do nosso Pai! Obrigada Pastor Eron pela reflexão.

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