E, quando orares… Parte2

E, quando orares… Parte2

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E, quando orares Parte2 . . .


 

Depois de apresentar os princípios elementares para a oração verdadeira, Jesus ensinou o modelo de oração aos seus discípulos. Naquela oração há uma estrutura de sete partes, sendo que há uma introdução, três petições iniciais relacionadas ao Pai e três petições finais relacionadas ao penitente. Dessa maneira, se considerarmos essa tríplice divisão, podemos compreender três importantes lições de Jesus sobre a oração verdadeira e isso certamente nos ajudará em nossa prática diária.

1. Segundo Jesus, a oração é um meio dos filhos expressarem a dependência do Pai celestial, v9

A sociedade atual procura insistentemente empurrar Deus para a periferia e margem da vida. A atitude do mundo contemporâneo é: “Quem precisa de Deus?”. Nesse contexto, as pessoas simplesmente não pensam primeiramente em Deus. Elas apenas recorrem a ele se nenhuma alternativa resolver, então começam a orar. Tudo isso, porém, apenas revela o desejo de se viver sem Deus nesse mundo de Deus.

Na introdução da oração do “Pai nosso”, Jesus deixa claro que o ato de orar é um exercício de dependência. Por essa razão, a prática da oração também serve como um instrumento evangelístico, pois ela é um meio de proclamar a crença e dependência em Deus. Como Douglas F. Kelly afirma: “toda a verdadeira oração é um trompete soando contra o secularismo”.1

Quando o crente ora ele reconhece e proclama algumas verdades sobre Deus. Por exemplo, sua existência, seu interesse e compromisso com seus filhos e sua grandeza. Deus é o Pai que está no céu e, portanto, quando se ora, se anuncia a crença em um Deus que tudo pode.

2. Segundo Jesus, a oração expressa que o maior interesse dos filhos devotos deve ser pela glória e honra do Pai, v 9-10

Na oração do “Pai nosso”, Jesus empregou o princípio “das primeiras coisas nos primeiros lugares”. Segundo esse princípio, Deus deve sempre vir “no princípio” de todas as coisas, bem como na prioridade dos seus servos. Assim, quando se trata da oração, o crente devoto expressará por meio dela sua preocupação com a glória do Pai bondoso.

Logo, quais devem ser as preocupações primárias dos filhos e filhas de Deus que verdadeiramente ama o Pai celestial? O texto da oração do “Pai nosso” esclarece que deve ser preocupação com a santidade do nome de Deus, com a vinda final do seu reino e com a realização plena de sua vontade sobre a face da terra. Dessa maneira, a vida diária de oração ajuda o crente a organizar e priorizar seus desejos, pois ele sabe que, se buscar primeiro o Reino de Deus, todas as outras coisas lhe serão acrescentadas (Mateus 6.33).

3. Segundo Jesus, a oração é um meio para que os filhos sejam confortados na provisão diária do Pai, v11-13

A Bíblia revela que o Pai ama seus filhos e cuida deles diariamente (cf. Salmo 121). Dessa maneira, no modelo de oração ensinado por Jesus, o crente é diariamente confortado pela provisão do Pai (o pão nosso de cada dia). Todavia, o cuidado do Pai com seus filhos não se limita as necessidades materiais, mas também se estende para as carências emocionais e espirituais. Por exemplo, Jesus não ensina a orar apenas pelo pão, mas também pelo perdão e pela proteção contra o tentador. O fato é que o grande Rei dos céus atenta para as necessidades dos Seus filhos na terra.

Quando o crente ora pelo pão diário ele deve se lembrar que Deus se preocupa não apenas com sua alma, mas também com suas necessidades materiais. Por outro lado, ao pedir pelo pão de cada dia, o cristão deve ser despertado para o fato de que sua ideia de necessidade nem sempre corresponde ao que Deus pensa. Por exemplo, Jesus não ensinou a pedir pelo pão mensal e nem mesmo pelo alimento supérfluo. Mas o Senhor instruiu que o Pai cuida das necessidades básicas dos seus filhos, e isso ele o faz todos os dias. Deus deseja que os seus filhos dependam dele diariamente!

No entanto, na oração do “Pai nosso” Jesus reconhece que as necessidades humanas são maiores do que materiais. O crente também possui necessidades emocionais e necessita do alívio advindo do perdão. A culpa gera até sofrimentos físicos, mas o Pai é rico em perdoar (Salmo 32.3). Por último, o crente possui necessidade das provisões para sua vida espiritual, especialmente no que diz respeito à vitória sobre o maligno. Por isso, Jesus ensinou seus discípulos a orarem pedindo proteção contra o tentador e suas ciladas. De fato, a oração ensinada por Jesus conforta os filhos de Deus, pois ensina que o Pai atenta para cada área de necessidades daqueles que lhe pertencem.

Concluindo, orar para muitos tem sido um exercício marcado por profundas agonias. Com isso, muitos abandonam a prática da oração e só recorrem a ela nas horas de grandes angústias. Porém, Jesus ensinou por exemplo e palavras que a prática da oração é um canal de bênção para os filhos de Deus.


1 KELLY, Douglas F., Se Deus já sabe, por que orar? 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 22.