Fake (Good) News

Fake (Good) News

Ultimamente, tem havido grande preocupação dos órgãos e tribunais superiores de nosso país com as chamadas fake news. O termo, importado da língua inglesa, refere-se a toda notícia falsa ou distorcida que rapidamente é disseminada nas redes sociais, denegrindo a imagem de pessoas e organizações sem que, muitas vezes, haja possibilidade de reparo.

Embora seja esse um problema que tem atingido em larga escala a classe política, por causa do pleito de outubro próximo, ele não se limita ao espectro político. Há fake news de tudo quanto é tipo circulando nas redes sociais, inclusive religiosas. Não são poucos os que, por ignorância ou maldade, compartilham notícias falsas ou distorcidas a respeito do evangelho – que é chamado na Escritura de a “boa notícia de salvação”, ou, se preferir, as “good news” de Deus (cf. Is 61.1; Lc 2.10; Rm 10.15; entre outros).

Sendo assim, destaco abaixo 4 fake news a respeito da fé evangélica que circulam em grande escala nas redes sociais e que geralmente muitos cristãos, por desconhecerem a Escritura, as aceitam como good news.

  1. A data exata da volta de Cristo. Uma das notícias falsas que circulam nas redes sociais é aquela que diz respeito à data exata da volta de Cristo. Frequentemente, há posts sobre alguém que descobriu códigos no livro de Apocalipse e depois de muitos cálculos garante que Jesus voltará em tal dia e hora. Obviamente, isso é na melhor das hipóteses ignorância. Na pior, charlatanismo mesmo. A Bíblia é clara ao dizer que o dia e a hora da segunda vinda de Cristo não estão disponíveis ao nosso conhecimento (cf. Mt 24.36; 25.13). 
  1. A fidelidade de Deus em realizar nossos projetos. Outra informação distorcida amplamente apreciada nas redes sociais é aquela que afirma ser Deus fiel ao ser humano. A ideia é que se crermos e confiarmos em Deus, ele será fiel a nós e realizará todos os nossos desejos e vontades. Contudo, não há um versículo sequer na Escritura que corrobore com esse pensamento. A Escritura diz que Deus é fiel a ele mesmo e à sua própria palavra. E é exatamente esse o fato de sermos abençoados por ele, pois mesmo que sejamos infiéis (e somos!), ele permanece fiel (cf. 2Tm 2.13).  
  1. Deus ama ou odeia o pecador? Um jargão que está na boca de muitos crentes e, também, nas pontas dos dedos de alguns internautas cristãos é aquele que diz “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. Obviamente, essa proposição não é biblicamente precisa, uma vez que o pecado não pode existir à parte do pecador. Para existir pecado é necessário existir alguém para cometê-lo. Como diz o salmista: “Os arrogantes não permanecerão à tua vista; aborreces a todos os que praticam a iniquidade. Tu destróis os que proferem mentira; o SENHOR abomina ao sanguinário e ao fraudulento” (Sl 5.6,7).
  1. Corrente de oração. Quem nunca recebeu uma “mensagem de fé” com os seguintes dizeres no final: “Não quebre essa corrente. Compartilhe essa oração com 30 pessoas e sua benção chegará ainda hoje”? Correntes de oração são muito comuns nas redes sociais e, quase sempre, possuem um apelo sensacionalista e místico. Contudo, não há base bíblica para acreditarmos que o compartilhamento mecânico de uma oração ou mensagem com um número especifico de pessoas obrigará Deus a nos abençoar. Afinal, o cristão já é abençoado por causa de sua união Cristo.

Enfim, as redes sociais têm sido um campo fértil para todos os tipos de fake news. Precisamos, então, estar atentos ao que tomamos como verdade. Antes de compartilharmos aquilo que recebemos no campo religioso, devemos checar a principal fonte de informação verdadeira: a Escritura Sagrada. Só ela nos protegerá das fake good news.

Eron Franciulli Coutinho Jr   

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