Iguais aos Bebês (Pastoral Semanal)

Iguais aos Bebês (Pastoral Semanal)

“Iguais aos Bebês” – Paul David Tripphappy-baby-face-images-wallpaper


Nosso primeiro filho foi um bebê incrivelmente ativo. Ele passou os primeiros dias de sua infância pegando, agarrando e escalando pessoas e objetos como se a vida fosse uma academia de MMA. Entre oito e nove meses, ele deu seus primeiros passos e não demorou muito até que se movimentasse pela casa com uma incrível e perigosa velocidade. Se você é pai ou mãe, sabe que quando seu filho começa a andar ele precisa de proteção contra todo tipo de perigo doméstico. Então, Luella e eu, da melhor maneira possível, começamos a deixar nossa casa “à prova de crianças”. Além disso, fiz questão de avisar ao Justin sobre as coisas que fossem potencialmente perigosas para ele. Levei-o por um “tour de segurança” pela casa, mostrando o que evitar e o que não tocar. Pensei que estava desperdiçando meu tempo, porque com cada aviso que dava recebia em troca um olhar vazio e um aceno pouco convincente com a cabeça.

Alguns dias depois, eu estava lendo na sala e pelo canto do olho vi meu filho olhando para mim de forma misteriosa e maliciosa. Ele olhava para a parede, olhava para mim, olhava para a parede novamente – repetindo esse ciclo muitas vezes. Quando ele percebeu que eu estava distraído, foi em direção à tomada que eu o avisara para não tocar. Pouco antes de dar o emocionante toque na tomada, ele fez algo que me deixou espantado: parou, virou a cabeça para ver se eu estava olhando e em seguida estendeu a mão para a tomada esperando que eu saltasse do meu assento para resgatá-lo. Aquele último olhar demonstrou que Justin tinha entendido meus avisos, sabia que estava agindo contra minha vontade, estava tentando esconder sua rebelião e foi inexplicavelmente atraído para o que eu claramente tinha proibido.

Por que eu estou compartilhando esse drama familiar com você? Porque eu e você, de várias maneiras, somos iguais aos bebês. Quantas vezes nós fazemos com Deus o mesmo que o Justin fez comigo, só que com algo diferente de uma tomada? Nesse artigo, eu quero mostrar a você três tipos de comportamento que o pecado produz em nós, que nos fazem ter a imaturidade de bebês.

Em primeiro lugar, o pecado produz rebelião. Luella e eu nunca havíamos ensinado ao Justin como ser um rebelde. Nós nunca demos a ele qualquer incentivo para desejar o que era proibido, para procurar oportunidades de se esquivar de nossa autoridade ou para alcançar o “fruto da tomada proibida”. Ele nasceu assim, e não demorou muito até começar a expressar essa rebeldia. Infelizmente, eu e você também somos assim. Seja fugindo da mãe em uma loja de crianças, colando em uma prova da faculdade, falsificando dados do imposto de renda, não ouvindo o conselho de alguém mais velho, se entregando à luxúria ou estacionando em local proibido e dizendo “é só por alguns segundos enquanto eu vou à loja”. A rebelião é natural em cada um de nós. Nosso espírito rebelde nos faz pensar em nós mesmos acima de tudo e também nos faz esquecer dos limites de nossos próprios desejos. Nós fomos criados para viver em submissão diária, mas por causa do pecado nós odiamos ser controlados. Queremos pegar as regras e alterá-las sempre que nos convém. Essencialmente, nós desejamos ser Deus, governando nosso mundo de acordo com nossa própria vontade. Não importa o quão rebelde nós somos contra autoridades horizontais. Em última análise, nossa rebeldia é sempre vertical – contra Deus. Nós nos recusamos a reconhecer sua autoridade, roubando-lhe a glória e usurpando seu direito de governar. Como você tem se rebelado contra a autoridade de Deus nesses últimos dias?

Em segundo lugar, o pecado produz estupidez. Luella e eu tínhamos muito mais experiência de vida do que Justin. Nós éramos capazes de fazer coisas que para um bebê, como ele, seria impossível. Nós éramos bons para ele, sendo em nossa vida seus protetores e provedores. Justin teria sido sábio em ouvir nossos conselhos, seguir nossa liderança e evitar o contato com tomadas. Você provavelmente está pensando: “Mas Paul, ele era apenas um bebezinho”. Concordo! Logo, isso significa que eu e você também somos assim. Mesmo que Deus tenha uma eternidade de experiência a mais que nós; mesmo que ele seja capaz de fazer coisas que para nós seriam impossíveis; mesmo que ele tenha dado sua vida para ser nosso protetor e provedor, nós geralmente não encontramos perspectiva, teoria ou verdade mais confiável que a nossa própria. Assim como bebês, que foram avisados do perigo, em nossa estupidez aceitamos a mentira que sabemos mais do que Deus. Quando Davi diz no Salmo 14.1 “Diz o tolo em seu coração: ‘não há Deus’”, ele não está apenas falando sobre os ateus; ele está mostrando o fundamento de toda estupidez humana. O pecado produz uma rejeição natural da sabedoria de Deus em cada pessoa. Ele nos fecha para o conselho do corpo de Cristo, nos convence de que não precisamos estudar a palavra de Deus e nos engana para que enxerguemos nossa rebelião e escolhas irracionais como sábias e corretas. Como você tem ignorado a sabedoria de Deus nesses últimos dias?

Em terceiro lugar, o pecado produz paralisia. Esse terceiro e último ponto não está claro em nossa novela familiar, mas a Bíblia nos diz que ele existe: mesmo quando queremos obedecer aos mandamentos de Deus e seguir a sabedoria encontrada nas Escrituras, o pecado nos torna incapazes de fazê-lo de forma consistente. O apóstolo Paulo capta poderosamente essa experiência em Romanos 7, quando escreve: ”…pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (vs. 18,19). O pecado nos torna moralmente paralíticos – fundamentalmente incapazes de fazer o que é certo. Qual de nós poderia dizer que nossa ira sempre foi justa? Qual marido poderia afirmar que ele sempre amou sua esposa como Cristo ama a igreja? Qual pessoa ama consistentemente o seu próximo como a si mesmo? Nós falhamos nessas coisas mesmo quando desejamos fazer o que é certo, porque nossos músculos morais estão atrofiados pelo pecado. Nós simplesmente não podemos fazer o bem que fomos criados para fazer. Como você não tem alcançado o padrão de Deus nesses últimos dias, apesar de suas melhores intenções?

Independentemente se você reconhece isso ou não, a evidência é clara: você e eu somos iguais aos bebês. Nós desejamos o que é proibido, dando aquela olhada rebelde para Deus antes de fazê-lo. Nós temos sido informados da segurança encontrada dentro dos limites que Deus estabeleceu em sua sabedoria, mas nossa estupidez ouve nossa racionalidade corrupta e distorcida. E mesmo em nosso melhor dia, quando desejamos nos submeter a Deus, somos incapazes de fazê-lo consistentemente.

Você ficou desanimado? Você deveria estar humilhado, mas não desanimado. As boas novas do evangelho é que Jesus perdoa rebeldes. Ele transforma tagarelas em ouvintes. Ele faz o paralítico andar novamente. Seu Espírito troca autonomia por dependência, estupidez por sabedoria, fracasso por frutos. Porém, você precisa admitir sua necessidade de ajuda. Você precisa se humilhar e se ver como uma criança espiritual. Hoje, peça ao seu Pai celestial para segurar sua mão e lhe mostrar o caminho. Assim como um bebê

[1] Artes Marciais Mistas – como a luta livre, por exemplo.

* Retirado de: www.paultripp.com/articles/posts/just-like-toddlers

* Traduzido por Eron Franciulli C. Júnior

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