Inquietação Causa Miopia

Inquietação Causa Miopia

Recentemente, ouvi um pastor americano falar sobre a diferença existente entre estar ocupado e estar sempre com pressa. Para ele, “estar ocupado” aponta para as atividades rotineiras, como estudar, trabalhar, ou se divertir, etc., enquanto “estar sempre com pressa” aponta para algo mais profundo, a saber, um coração inquieto.

Seu argumento a favor dessa sutil distinção está baseado no fato de que estar sempre com pressa não é necessariamente resultado de estar super ocupado, uma vez que a inquietação não é causada pelo número de atividades que se realiza durante o dia e sim pela disposição do coração. Sendo assim, pessoas com agendas sobrecarregadas podem estar tranquilas enquanto pessoas com agendas tranquilas podem estar inquietas o tempo todo.

Quando olhamos para o evangelho de Lucas, vemos uma mulher chamada Marta não somente super ocupada com muitas coisas, mas também inquieta e preocupada. Veja como Lucas descreve essa história:

“Indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos. Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então, se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me. Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”. (Lc 10.38-42)

Vejamos, então, através desse breve relato, duas importantes questões sobre como a inquietação pode distorcer a nossa visão – a respeito de Deus e de nosso próximo:

  1. Em primeiro lugar, a inquietação muda o modo como enxergamos o próximo

Repare nas palavras de Marta a Jesus: “…não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me”. Aqui encontra-se o primeiro problema da inquietação: ela distorce a nossa visão do próximo.

Marta não estava somente inquieta, mas também descontente, tentando tornar sua irmã em uma cópia de si mesma. Embora Maria estivesse agindo do modo correto, desfrutando da presença de Jesus, Marta a via como alguém negligente e preguiçosa.

Do mesmo modo, quando ficamos inquietos e agitados, muitas vezes sob o pretexto de sermos responsáveis e proativos, temos a tendência de olhar para o nosso próximo com desprezo. Então, quando você estiver inquieto, lembre-se de olhar para si próprio, analisando seu coração antes de querer tornar seu próximo uma cópia de si mesmo. Talvez, quem necessite mudar é você e não ele.

  1. Em segundo lugar, a inquietação muda o modo como enxergamos a Deus

Repare agora na resposta de Jesus à Marta: “Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”. Aqui encontra-se o segundo problema da inquietação: ela distorce a nossa visão de Deus.

Marta, por estar inquieta e preocupada, não conseguiu perceber a supremacia daquele visitante. Nada era mais importante do que estar aos pés de Jesus, desfrutar de sua presença, ouvir seus ensinamentos. Nem mesmo tentar servi-lo. A inquietação de Marta distorceu o modo como ela via Jesus e, consequentemente, seu modo de se relacionar com ele.

Do mesmo modo, quando ficamos inquietos e preocupados, muitas vezes sob o pretexto de estarmos tentado servir a Deus, temos nossa visão distorcida a respeito do Redentor. Consequentemente, passamos a nos relacionar com ele não desfrutando de seus ensinamentos e sim tentado servi-lo. Então, quando a inquietação chegar, lembre-se de quem Jesus é. Antes de tentar servi-lo, seja servido pela graça dele. Você não estará apto a fazer nada por Jesus antes que ele faça tudo por você!

Humildade é a lente corretiva

Há grandes chances de nossa inquietação ser causada pelo nosso orgulho. Somente nos achamos melhores do que o próximo, e também altamente capazes de servirmos a Deus, quando pensamos ser mais do que somos.

Nesse caso, o remédio para corrigirmos nossa inquietação orgulhosa é a humildade que acalma. Olhar para nós mesmos com humildade nos fará ver o valor do próximo e a supremacia do nosso Redentor e, consequentemente, nos colocará no lugar do qual nunca deveríamos ter saído: aos pés de Cristo.

Eron Franciulli C. Júnior

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