Lições que tristemente aprendemos com o pecado

Lições que tristemente aprendemos com o pecado

sad-08A pior experiência do cristão é, indiscutivelmente, o pecado. Não é a enfermidade física, nem as tragédias; ou tampouco as ofensas, traições ou enganos experimentados. Mesmo sendo todas essas circunstâncias dolorosas, quando são comparadas à luz das Escrituras com o pecado, é ele o grande drama humano; cujas consequências são tanto temporais quanto eternas.

Do outro lado, o que de mais significativo há para um cristão desfrutar em sua vida não é a boa saúde, os recursos abundantes, uma formação academicamente elevada etc. (mesmo não sendo o desfrute de todas essas coisas errado em si). Sua melhor experiência é a vida de santidade, resultante da fé em Cristo como salvador e da obediência à sua palavra.

Há, no entanto, lições que tristemente podemos aprender com o pecado. Mas é importante fazer três observações iniciais. Primeiro, não precisamos contratar o pecado como professor particular, o objetivo aqui não é estimular ninguém ao pecado para tornar-se mais experiente, mas apresentar uma trágica constatação da experiência do cristão com o pecado para justamente desestimulá-lo a ele. Segundo, a verdadeira motivação para o abandono do pecado não está nos efeitos que ele pode causar, mas no verdadeiro amor a Deus, como disse Jesus: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” (João 14.15). Terceiro, não devemos nos colocar como vítimas do nosso pecado, o pecado dos outros pode nos ferir ou estimular, mas nunca nos obrigar a praticar o pecado, somos nós quem ativamente o praticamos.

Dito isso, essas lições podem ser delineadas em três níveis de relacionamento – conosco mesmo, com o próximo e com o próprio Deus. Vejamos, então, brevemente cada um desses aspectos:

Em relação a nós mesmos:

  • Nosso pecado nos torna escravos dele. Pecar é colocar-se voluntariamente sob os grilhões da escravidão do próprio pecado (João 8.34)Se estamos em Cristo, não somos mais escravos do pecado (Romanos 6.20-23). Entretanto, quando trocamos a liberdade da comunhão com Deus e o serviço a Cristo pela prática do pecado, fazemos do pecado nosso cruel senhor (Gálatas 5.1).
  • Nosso pecado nos torna tolos. Em Romanos 1.21-22, vemos uma linguagem bastante dramática para a perda intelectual e espiritual daqueles que se entregam ao pecado. Eles se tornaram nulos de raciocínio, seus corações ficaram obscurecidos e, considerando-se sábios, tornaram-se loucos.
  • O pecado nos torna menos verdadeiramente humanos. A nossa humanidade verdadeira é mais desenvolvida na medida que a imagem de Cristo é mais gerada em nós (2Coríntios 3.18), e isso em retidão, santidade e justiça (Efésios 4.24; 1Pedro 1.16). Assim, o que o pecado faz é nos distanciarmos da semelhança com Cristo, nos tornando serem humanos menos inteiros.

Em relação ao próximo:

  • Nosso pecado nos faz desprezar o próximo. Quando fazemos de outras pessoas alvo dos nossos pecados, somos destrutivos. Desprezando o segundo grande mandamento de amar o próximo (Mateus 22.38); pois quando amamos o próximo, não praticamos o mal contra ele (Romanos 13.10). Também, Jesus falou com severidade sobre o dano para aquele que fizer tropeçar um de seus pequenos (Mateus 18.6).
  • Nosso pecado prejudica o corpo de Cristo. Mesmo quando não há supostamente outra pessoa envolvida em nosso pecado, como corpo de Cristo que somos (Romanos 12.5; 1 Coríntios 12.27), toda a enfermidade decorrente do pecado afeta outros membros do corpo, de um modo ou de outro (1 Coríntios 12.26).
  • Nosso pecado nos afasta da comunhão dos santos. Jesus diz que aquele que pratica o mal não se aproxima da luz para que suas obras não se tornem visíveis (João 3.20). Assim, embora a verdadeira luz mencionada nessa passagem seja o próprio Cristo, o povo de Deus também é luz que brilha no mundo (Mateus 5.14). Por causa disso, aqueles que persistem no pecado logo deixarão de se relacionar como o povo de Deus, para não terem pecado trazido à luz.
  • Nosso pecado nos faz companheiros de ímpios. A palavra de Deus exorta os cristãos a não serem participantes com os ímpios das obras das trevas (Efésios 5.7,11). Entretanto, para aqueles que se entregam ao pecado, não há alternativa; pois é somente no mundo dos ímpios que o pecado terá um ambiente próprio. Essa é uma consequência tragicamente inevitável para a prática do pecado.

Em relação a Deus:

  • Nosso pecado é uma afronta a Deus. O orgulho, que é resultado da devoção do coração a si mesmo sobre todas as coisas, não a Deus, é a fonte de todo pecado. Deus levanta o profeta Isaias (9.8-12) para exatamente dizer ao povo que ele os abateria por causa da soberba do coração deles, por pensarem que poderiam inclusive viver sem Deus. Assim, em última instância, praticar o pecado é afrontar a Deus dizendo-lhe que o que importa é a nossa vontade, não a dele; é o inverso da oração do Senhor: “faça-se a [minha] vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6.10).
  • Nosso pecado entristece o Espírito Santo. É justamente num contexto de exortação à santidade e ao abandono do pecado que a Palavra de Deus afirma o sentimento do Espírito Santo quando aqueles que são habitados por ele se entregam ao pecado: “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” (Efésios 4.30).
  • Nosso pecado levou Jesus à morte na cruz. Talvez, ao pensarmos na beleza da obra de Cristo na cruz do calvário em nosso favor nos esquecemos do seu verdadeiro horror. Aquela sangrenta e cruel cruz expôs nosso Senhor Jesus, Deus glorioso e bendito, a vergonha e sofrimento terríveis. Ele morreu por causa dos nossos pecados (1Coríntios 15.3). Este é o salário do pecado, a morte (Romanos 6.23). E há um sério alerta da palavra de Deus contra aqueles que pisarem no Filho de Deus e profanarem o sangue da aliança (Hebreus 10.29).

Esses são alguns efeitos do nosso pecado. No relacionamento intrapessoal, desfigura a imagem de Cristo em nós. No relacionamento interpessoal, fere o outro, afeta o corpo de Cristo, nos faz distantes do povo de Deus e próximos dos ímpios. No relacionamento com Deus, afronta o Pai, entristece o Espírito e não considera com seriedade o preço do sangue de Cristo na cruz.

Assim, que haja em nós sempre o desejo de suplicar a Deus por santidade. Bem como possamos ter coragem de reconhecer nossos pecados e, ao invés de nos afastarmos do Senhor, buscarmos nele perdão e graça. A fim de vivermos para a glória de Cristo, nosso redentor.

0 Comments

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *