Lucrando para a Eternidade

Lucrando para a Eternidade

Disse Jesus: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8.36)

“Se eu fechar esse negócio quanto eu ganho, se eu não fechar esse negócio quanto eu perco?” Essa pergunta é habitual e rotineira nos círculos comerciais do mundo capitalista no qual vivemos. Frequentemente somos levados a pensar nas vantagens e desvantagens em tudo o que fazemos e com todos com os quais nos relacionamos. Há aqueles que vivem as neuroses da busca diária pelo aqui e o agora como o fim principal de sua existência.

Quero propor a você um exercício mental: imagine se pudesse ganhar hoje tudo o que seu coração desejasse: tesouros abundantes, terras, todo o esplendor, fama e prestígio que alguém possa ter nesse mundo. Mas, durante o processo de conquistar todas essas coisas você perdesse o direito de viver, como você encararia isso?

No famoso filme “O advogado do Diabo”, Kevin Lomax (Keanu Reeves) é convidado para trabalhar em Nova York por um salário milionário apenas para escolher um júri para um único tribunal. Ele é “introduzido” no jogo da ambição a qualquer preço, por John Milton (Al Pacino), advogado de extraordinário sucesso e que personifica o próprio Lúcifer, e que tinha como lema: “Vaidade é definitivamente meu pecado favorito”. No filme, Kevin consegue tudo que sempre sonhou, mas perde sua família e a própria vida.

O apóstolo Paulo, ao fazer uma análise da sua própria trajetória de vida, em Filipenses 3.7-8, chega à seguinte conclusão: “Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo”. O que Paulo está declarando é que tudo que considerava valioso na vida, tornara-se sem graça comparado a Jesus. Assim como uma vela segurada diante de um sol, nossos pequenos desejos são atenuados na presença do nosso Redentor e da vida eterna proporcionada por ele (Mt 13.44).

Willian Hendriksen, pensando no versículo citado (Fl 3.7-8) acrescenta: “Assim como o nascer do sol apaga a luz das estrelas, e assim como a presença de uma pérola de grande valor apaga o brilho das demais gemas, assim também a comunhão com ‘Cristo Jesus, meu Senhor’, eclipsa o brilho de todas as coisas [1]. Esse é o pensamento que envolve aquele que encontrou a Jesus, a respeito do qual a Bíblia diz “em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl 2.3).

Vale a pena abrir mão das vantagens oferecidas pelos esquemas propostos pelo mundo, em favor da perenidade de nossa alma. Precisamos abrir mão de nossa própria justiça, da soberba humana e da pretensa força que temos e abraçar, através da fé, a Cristo Jesus, a maior recompensa que podemos ter nessa vida e na eternidade. Como disse o missionário Jim Elliot “Não é tolo aquele que abre mão do que não pode reter para ganhar o que não pode perder.” Que Deus nos ajude em nossa caminhada cristã, para que saibamos abrir mão do que é sem valor e passageiro por tesouros celestiais e eternos.

Pr. Fábio B. Coutinho

[1] Hendriksen, William. Comentário do Novo Testamento: exposição dos livros de Efésios e Filipenses. 2. Ed. – São Paulo: Cultura Cristã, 2005 – pg 543.

2 Comments

  1. Maria Terezinha

    Nada neste mundo vale a pena. Portanto, devemos viver cada dia como se fosse o último, pois aqui não é a nossa Pátria,estamos de passagem e esperando o glorioso dia em que vamos nos apresentar diante do Pai.!

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