Na Contramão da Esperança…

Na Contramão da Esperança…

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28)

Conta-se que uma senhora se queixou ao seu pastor, dizendo: “pastor estou com câncer, eu vou morrer”. Ao que o pastor, prontamente, respondeu: “Eu também”. A mulher retrucou: “O senhor também está com câncer?”. Ele disse: “Não, mas também vou morrer, só não sei quando será”.

Essa pequena crônica traz à luz um dilema da humanidade – a morte. Nós não possuímos uma tendência natural ou uma pré-disposição à morte e até mesmo às doenças que eventualmente nos acometem. Enfrentar a dor e a doença é como andar na contramão de uma via. Para o homem sem Deus e, portanto, sem esperança, esse quadro se agrava – eles, literalmente, andam na contramão da esperança. Os não cristãos reagem, normalmente, com raiva e amargura quando são pegos pela doença ou pela morte, pois vivem em busca da satisfação plena nessa terra e no tempo presente, tendo como máxima de vida a felicidade no aqui e agora. A esperança deles se resume a dias melhores, mas somente neste mundo.

Bem que os cristãos poderiam ser isentos das doenças e da morte, mas essa é uma realidade utópica. Esses acontecimentos permeiam a nossa vida e sempre iremos conviver com eles por causa da pecaminosidade do mundo caído no qual vivemos. Quando uma doença séria bate à porta e a possibilidade de morte é iminente, muitos conflitos invadem a vida do servo de Deus. O curso normal da existência é interrompido e uma série de frustações podem tomar o coração até mesmo do crente mais fiel.

No entanto, em momentos como esses temos um porto seguro e em quem nos agarrar. Além da nossa família e amigos, temos o consolo da presença de Deus e da sua boa e poderosa mão nos acolhendo, confortando e encorajando em toda a nossa caminhada. A esperança do cristão não fica na contramão, mas numa via direta que vai, através da fé, além dos nossos olhos e mira a eternidade. Somente a graça de Deus é capaz de dar alento em meio à fornalha da aflição e nos capacitar para enfrentar doenças sérias ou até mesmo a morte com calma no coração. É “a paz que excede a todo entendimento”, segundo Filipenses 4. 7, “que guardará o nosso coração e mente em Cristo Jesus”.

Não podemos querer enfrentar situações extremas da vida, buscando forças em nosso próprio ser, isso seria inútil. Antes, devemos lançar nossa confiança no Senhor, e em Sua inabalável soberania, entendendo que o controle de todas as coisas está em suas mãos e que Ele faz o melhor por aqueles que ama. Foi nessa confiança inarredável que Paulo e Silas se apoiaram quando se encontravam presos e torturados por amor a Cristo (At 16.22-25). Esse mesmo sentimento invadiu o coração de muitos outros homens de Deus, na iminência da morte ou em meio a dor da doença crônica, fazendo com que a sua confiança repousasse no Deus que tem o controle da história em suas mãos.

Mesmo quando Deus nos leva por caminhos que não entendemos, Ele não se esqueceu de nós e nem mesmo nos abandonou. Uma das grandes promessas do nosso Senhor ao seu povo é: “Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Is 49.15).

Se você hoje vive um momento onde parece que está trilhando uma estrada na contramão da esperança, levante seus olhos para o céu, lembre-se e use as palavras do salmista: “Em me vindo o temor, hei de confiar em ti. Em Deus, cuja palavra eu exalto, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei” (Sl 56.3-4). Que Ele seja o caminho seguro hoje e eternamente!

Pr. Fábio B. Coutinho

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