No Princípio, Deus

No Princípio, Deus

Não coincidentemente as Escrituras Sagradas começam com as palavras “No princípio criou Deus” (Gn 1.1). Trata-se de uma introdução objetiva, mas ao mesmo tempo intensa, na qual todo o restante da revelação escriturística se desenvolve.

Entretanto, nem sempre consideramos a profundidade dessas quatro palavras e, por isso, deixamos de perceber e vivenciar implicações diárias dessa verdade. Afinal, como somos afetados pelo fato de sabermos que Deus é o criador do universo?

Sendo assim, sem ser exaustivo no assunto, descrevo abaixo algumas reflexões que John Stott[1] faz sobre esse versículo e proponho algumas maneiras de aplicá-las a nós.

  1. O Criador fez todas as coisas do nada. Um aspecto importante da criação é o fato de Deus ter criado todas as coisas ex nihilo (do nada). Isso significa que ele, e somente ele, é eterno. O mundo espiritual e o mundo material, bem como as leis que os regem, foram criados por ele. Pense, por exemplo, na lei da gravidade. Ela só existe, porque Deus a estabeleceu. Ou seja, cada aspecto na criação, do maior ao menor, é feitura divina. Portanto, nós deveríamos apreciar mais as maravilhas criadas e nos lembrar diariamente da grandeza do nosso Criador, afinal sua glória está impressa no universo.
  1. O Criador não pode ser surpreendido pela criação. Uma das implicações de Deus criar todas as coisas é o fato dele não ser surpreendido por nada que acontece no universo, uma vez que “no princípio” ele sempre esteve lá. Ou seja, nada, nem ninguém, pode se antecipar a ele e surpreendê-lo. Pelo contrário, toda iniciativa em cada ação criativa começou com ele. Sendo assim, nós deveríamos nos lembrar que Deus não está preocupado ou confuso com os rumos do universo, ou com os rumos de nossa vida. Ele não é pego de surpresa – nem mesmo por nossas falhas e pecados.
  1. O Criador sustenta sua criação. Quando o credo apostólico se refere a Deus como o “Pai todo-poderoso”, ele está enfatizando o controle de Deus sobre tudo o que ele fez. Ou seja, o que ele criou ele sustenta.[2] Isso significa que ele não abandou sua criação, mas que poderosamente continua a reger a história – fazendo o sol brilhar e a chuva cair, “vestindo” os lírios do campo e alimentando cada pequeno pássaro. Portanto, nossa vida está nas mãos dele. Ele tem o controle absoluto sobre toda a nossa história. E ele nos diz para confiarmos em seu amor e em seu cuidado.

Enfim, são apenas quatro palavras, mas que possuem uma grande verdade: o Criador é eterno, não pode ser surpreendido e está no controle de sua criação. Descanse nele.

Eron Franciulli Coutinho Jr

[1] STOTT, John. Through the Bible through the year: daily reflections from Genesis to Revelation. Baker Books. Grand Rapids, Michigan, 2006. Pág. 14.

[2] Idem.

0 Comments

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *