Novidade!

Novidade!

Um simples título como esse acima pode chamar a atenção de muitos leitores, seja qual for o tipo de conteúdo publicado. Talvez, seja exatamente por isso que você se interessou por esse texto e começou a lê-lo: porque, a contar pelo título, ele parece oferecer alguma novidade.

Todos os meses são lançados novos modelos de carros, computadores, celulares, roupas etc. As celebridades das mídias sociais não apenas procuram essas novidades, mas também oferecem em suas plataformas o que todos parecem procurar: algo novo! Verídico ou não, o importante é experimentar algo jamais visto ou falado, algo que chame a atenção, que atraia o público e o satisfaça. A busca pelo novo parece ter se tornado uma espécie de deus moderno, onde as pessoas se prostram diariamente perante ele.

Mas, afinal, o que é novidade? Segundo alguns dicionários de língua portuguesa, novidade é a condição do que se apresenta pela primeira vez. Assim sendo, aquilo que é novidade em um primeiro momento, logo o deixa de ser, a partir do momento em que é conhecido ou apresentado. Por isso, tal busca pelas novidades, permita-me a redundância, precisa sempre de renovação – um círculo vicioso.

Este não é um retrato exclusivo de uma sociedade ímpia que corre atrás dos prazeres momentâneos. Infelizmente, é também um diagnóstico do procedimento de boa parte dos cristãos, que cada vez mais cedem espaço a este “ídolo”. Não que as novidades sejam por si só maléficas, ou que devemos ser contra todo tipo de inovação. Porém, boa parte delas andam na contramão dos princípios bíblicos que deveriam reger todos aspectos da vida cristã.

É notável que grande parte daqueles que, estatisticamente, são considerados evangélicos em nosso país são seduzidos por novas interpretações, novas profecias, novas revelações, novos modelos de culto (quando há algum modelo), novas formas de “adoração”, novos cânticos, novos ritmos… enfim, não interessa muito em qual área ou aspecto, se bíblico ou não, parece que o importante é sempre haver algo novo.

Paulo advertiu os gálatas quanto à sedução irrestrita e cega deles pela novidade, que no caso era por um outro evangelho, o qual acrescia algumas práticas à obra de Cristo, minimizando sua eficácia. Foi então que disse o apóstolo: “[…] ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema.” (Gl 1.8). Aliás, o apóstolo em suas cartas trouxe à memória as verdades fundamentais já conhecidas pelos seus leitores: “Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei […] (1 Co 15.1).

Talvez, eu e você não façamos parte dos que buscam novidades desesperadamente, porém, em nosso coração, esperamos que no próximo domingo o pastor diga algo de novo no sermão, e não as verdades fundamentais das Escrituras que estamos tão acostumado a ouvir. “Lá vem ele falar de pecado e arrependimento outra vez”, pensamos. Talvez seja o caso de almejarmos ansiosamente por um novo pastor, pois pensamos que, apenas por ser ele uma novidade, trará mais ânimo à igreja.

Devemos entender que se Deus quisesse conduzir seu povo por meio de novidades contínuas, a Bíblia não teria a formatação de um livro. Seria mais parecido com um fichário, o qual estaria aberto à inserção de novas páginas.

Portanto, não sejam iludidos pelo poder de sedução das novidades. Sua vida deve estar alicerçada naquele que é o Princípio, “em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”, e que se revelou em plenitude por meio de seu Filho, o nosso Redentor que se deu por nós. Esta sim é a boa nova que nunca perde sua valia!

Sem. Rafael Sagaz

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