O coração é confiável?

O coração é confiável?

É muito comum ouvirmos o seguinte conselho: “Siga o seu coração”. Mas será que esta orientação é válida para o cristão? Será que o cristão deve, cegamente, seguir os intentos do seu coração?

A Bíblia utiliza o termo “coração” como indicativo do “homem interior”, pois ele se refere ao intelecto (Lc 5.22), vontade (At 11.23) e afeição (Jo 14.1), ou seja, o âmago da pessoa[1], aquilo direciona e motiva suas ações. É claro que o conselho apontado acima não requer que alguém seja guiado por um órgão físico, mas que se submeta aos desígnios de sua vontade, pensamentos e sentimentos. Contudo, como as Escrituras Sagradas qualificam o coração do homem?

As Escrituras apontam o coração natural do homem como a sede do pecado, de onde procede os maus desígnios (Mc 7.21-23). No livro do profeta de Jeremias encontramos um dos retratos mais conhecidos, duros e reais sobre o coração humano: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas e desesperadamente corrupto” (Jr 17.9). Assim, aquele que não se atenta para o quão enganoso é o seu coração, capaz de distorcer fatos e gerar argumentos para justificar seus anseios e ações, está completamente enganado.

Não é incomum encontrarmos cristãos que pautam suas decisões, corriqueiras ou complexas, da vestimenta ao namoro, do casamento ao divórcio, na subjetividade do seu coração, simplesmente explicando: “Senti no coração!”. Como se o fato de sentir no coração fosse uma confirmação da vontade de Deus para sua vida. Quando agimos pelo impulso do coração estamos incorrendo em um grande erro e expostos a grandes riscos, porque, de fato, naturalmente, o nosso coração não é uma fonte segura.

Permita-me ilustrar esse engano produzido pelo coração com a personagem Olaf, do filme Frozen. Olaf é um boneco de neve que ganhou vida após um passe de mágica da rainha Elsa. Entretanto, mesmo sendo um boneco de neve, ou seja, essencialmente feito de gelo, Olaf ansiava pela chegada do verão e adorava “abraços quentinhos”. Por vezes, agimos como o Olaf, e caímos no engano do nosso coração, nos entregando aos seus desígnios sem sequer notar que muitos deles, embora até lícitos, são extremamente nocivos à nossa natureza e nova vida em Cristo.

Portanto, os desejos do coração precisam de ser passados pelo filtro das Escrituras, serem avaliados pela vontade revelada de Deus. O Senhor, que tudo conhece e que tudo sabe, é o único que pode sondar nosso coração e nos guiar pelo caminho eterno (Sl 119.23-24). É ele quem modifica a inclinação do coração, transformando-o, a fim de que obedeçamos à sua vontade (Ez 36.26-27). Assim, o cristão evidencia esse coração transformado submetendo seus pensamentos, desejos e sentimos à vontade revelada de Deus, em semelhança ao seu Mestre (Mc 14.36; Mt 6.10). Assim, na próxima decisão que você tiver de tomar, ao invés de seguir o seu coração, faça igual àquela velha brincadeira infantil, siga o Mestre! Esse certamente é o caminho mais seguro.

Sem. Rafael Sagaz

[1] CAMPOS, Heber Carlos de. Antropologia Bíblica [material não divulgado].

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