O Preâmbulo Perfeito

O Preâmbulo Perfeito

Provavelmente você se lembra do significado de um preâmbulo. Mas, caso tenha esquecido, um preâmbulo é uma espécie de prefácio ou introdução na qual se anuncia a promulgação de uma lei ou decreto, que tem por finalidade retratar os principais objetivos do texto que será exposto. Desde os tempos mais remotos, contratos, leis e constituições requerem uma boa introdução. Nos Dez Mandamentos, ao introduzir sua lei, Deus faz o uso dessa cláusula introdutória chamada preâmbulo.

Diferente do que ocorre nas constituições ou contratos estabelecidos entre homens, o preâmbulo dos Dez Mandamentos é mais que um simples documento no qual existem duas partes iguais. Na verdade, ele é um pacto por meio do qual Deus declara ao povo: “Tomar-vos-ei por meu povo e serei o vosso Deus;” (Êx 6.7). Por essa razão, na Bíblia, o preâmbulo representa mais que uma mera cláusula introdutória. Na realidade, ele expressa a soberania e o amor de Deus sobre o seu povo escolhido.

Antes de exigir qualquer dever daqueles com quem fez o pacto, Deus demonstra quem ele é, por meio de uma dupla afirmação. Em primeiro lugar ele afirma a sua autoridade, “Eu sou o Senhor, teu Deus” e em seguida, demonstra o seu amor paterno anunciando ser o libertador do povo hebreu quando diz: “…que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão” (Êx 20.1).

No preâmbulo dos Dez Mandamentos fica evidente que há uma declaração da salvação divina. E, ao observar o fundo histórico dos Dez Mandamentos, identificamos o amor de Deus por aqueles a quem escolheu, o que nos remete imediatamente ao Evangelho (Rm 5.8-11). Assim, em Êxodo, Deus demonstra que ele mesmo fez tudo. No Evangelho, da mesma forma, ele também cumpriu todas as exigências da Lei, por intermédio da pessoa e obra de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o Deus encarnado (2Tm 2.13).

Parafraseando Hans U. Reifler [1], ao analisar o preâmbulo dos Dez mandamentos, quero destacar algumas verdades e atributos revelados em Êxodo 20.1, que ligam o “Eu Sou” (Êx 3.14) à afirmação do “Eu Sou” proferida por Jesus (Jo 8.58). Vejamos:

Ele é o Deus exclusivo: Deus de suprema autoridade e poder que a tudo ordena e assim se faz (Gn 1.3). O Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Início e o Fim (Ap 22.13). Sem Ele nada podemos fazer (Jo 15.5). Quem serve a esse Deus, não sente necessidade de se dobrar diante de ídolos.

Ele é o Deus pessoal e relacional: “Sou teu Deus” (Êx 20.1). A Bíblia nos informa que esse Senhor sempre buscou estar presente e relacionar-se com o Seu povo. Foi assim com Adão e Eva (Gn 3.8), com Abraão (Gn 15.7), Moisés (Êx 3.4-10), e muitos outros servos seus. Em Êxodo 29.43-46, somos informados que Ele se fez presente no meio do povo através do Tabernáculo e, no Evangelho de João 1.14, lemos que Ele se fez carne e habitou (σκηνοω– tabernaculou) entre nós.

Ele é o Deus presente e constante: Ele não abandonou o universo à sua própria sorte como dizem alguns, antes, está presente e intervém em cada instante da história. Foi assim na criação do mundo, no dilúvio, em Babel, no chamado de Abraão e sua descendência, na preservação e no cuidado com o povo de Israel no Egito, na posse da terra prometida, na preservação do povo de Israel em toda a história da humanidade, na encarnação do Senhor Jesus e ainda mantém as rédeas da história em suas mãos.

Ele é o Deus imutável: Nele não há sombra nem variação de mudança (Tg 1.17). Sua fidelidade, firmeza e estabilidade estão acima do que o homem pensa (Sl 36.5). Por causa desse atributo, podemos ter a certeza de que nenhuma de suas palavras cairão por terra (Js 23.14). Ele reina sobre todos de maneira sublime e irrevogável (Ml 3.6).

Diante de verdades tão cristalinas, que revelam o Deus de todo poder, quero desafiar você a abraçar os Dez Mandamentos, na perspectiva de seu preâmbulo. Ou seja, olhe para o Deus do pacto, da libertação e empenhe-se em servi-lo com mais alegria e disposição, mantendo a sua confiança nos méritos de Cristo e andando na dependência do Espírito Santo.

Pr. Fábio B. Coutinho

[1] Reifler, Hans Ulrich. A Ética dos Dez Mandamentos. Vida Nova, 2016, p. 52.

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