O que Aconteceu com os Apóstolos?

O que Aconteceu com os Apóstolos?

Os discípulos que constituíram o Colegiado Apostólico não tinham o perfil que alguns esperariam para serem os homens enviados por Jesus a fim de alcançar o mundo com a mensagem do Evangelho. Não havia nada de extraordinário, especial ou espetacular em si mesmos. Eles eram trabalhadores comuns e foram até julgados pelas autoridades religiosas judaicas como “homens iletrados e incultos” (At 4.13). Contudo, o Senhor os escolheu e os enviou para realizarem a tarefa mais extraordinária possível: “sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (Atos 1.8). E assim, a igreja de Cristo se encontra fundamentada no ensino apostólico, ou seja, na mensagem do Evangelho (Ef 2.19-20).

Pouco se sabe sobre a vida dos apóstolos após a morte e ressurreição do Senhor. Alguns textos do livro de Atos e das cartas paulinas oferecem certo material, mas não suficiente. No geral, muitos cristãos gostariam de saber mais detalhes sobre aqueles servos de Deus. Nesse sentido, é importante recorrer à História da Igreja, ainda que alguns detalhes a esse respeito sejam construídos a partir da tradição eclesiástica.

No Novo Testamento encontramos o relato do destino final de apenas dois apóstolos: Judas Iscariotes, que traiu Jesus e deu cabo de sua própria vida (Mt 27:3-11), e Tiago, o filho de Zebedeu, que foi executado por ordens do rei Herodes (At 12:2). A História da Igreja cristã, porém, nos traz alguns relatos e até lendas sobre a morte dos outros apóstolos de Cristo. No geral, o que é enfatizado nessas narrativas é a determinação dos apóstolos em pregar o Evangelho até os confins da terra e não os detalhes específicos que resultaram na morte dos mesmos.

Pedro e Paulo foram ambos executados por volta do ano 66 A.D., durante a perseguição do imperador Nero aos cristãos. Paulo foi decapitado após sua segunda prisão em Roma (2Tm 4.6-8). Pedro por sua vez, após ter estabelecido a igreja em Antioquia (ele é tido aceito como o primeiro bispo de Antioquia), viajou para Roma a fim de ajudar os cristãos na capital do Império. Segundo a tradição, Pedro foi crucificado de cabeça para baixo em Roma, pois não se julgou digno de morrer como morreu o seu Mestre. Alguns cristãos acreditam que a Basílica de São Pedro foi construída sobre o túmulo de Pedro, mas não há comprovação final sobre isso.

André, supostamente, dirigiu-se para o norte, parte da moderna Rússia, e que na época era uma região caracterizada pela existência de antropófagos. Ele também pregou na Ásia Menor, hoje Turquia, e também na Grécia onde foi crucificado em uma cruz no formato de “X”. Tomé foi, provavelmente, muito ativo na evangelização da Síria. A tradição cristã ensina que ele também pregou até a Índia, onde os antigos cristãos Marthoma o consideravam o iniciador de seu grupo. Acredita-se que ele morreu na Índia em 72 d.C., quando foi cravado pelas lanças de quatro soldados.

Filipe, segundo a tradição cristã, logo após o Pentecostes desempenhou um ministério ativo na cidade de Cartago, no norte da África e, depois, na Ásia Menor, mas especialmente em comunidades gregas naquelas localidades. É dito que através de seu ministério a esposa de um procônsul romano foi convertida e como ato de vingança o procônsul ordenou que Filipe fosse preso e posteriormente executado no ano 80 d.C.

Mateus se tornou mais conhecido pelo evangelho que escreveu, mas há histórias de que ele tenha exercido seu ministério nas regiões da Pérsia e Etiópia. Segundo a tradição, ele foi morto ao fio da espada na Etiópia. Bartolomeu teve um ativo ministério evangelístico em diferentes regiões de sua época. Segundo alguns relatos, ele viajou para Índia (com Tomé), depois para a Armênia, Etiópia e também o sul da Arábia. Devido à existência de várias lendas, não há como definir a forma de sua morte.

Acredita-se que Tiago, filho de Alfeu, pregou na região da Síria. O historiador judeu Flávio Josefo escreveu que ele foi apedrejado até a morte. Simão, o Zelote, de acordo com a história cristã, pregou na Pérsia e foi morto após recusar oferecer sacrifício ao “deus sol.” Matias, aquele que foi incluído no colegiado apostólico após a morte de Judas (At. 1:26), supostamente trabalhou na Síria, na região da Capadócia, próximo ao Mar Cáspio. Seu martírio veio pelo fogo, tendo sido queimado em uma fogueira. Quase nada, porém, se sabe sobre o ministério e a morte de Judas Tadeu, ou “Judas, filho de Tiago” (Mt. 10:3 e Lc. 6:16). Ele é tido como o “apóstolo esquecido”, mas sua memória é especialmente reverenciada pela Igreja Armena, como sendo o “apóstolo aos armenos”.

O apóstolo João, o discípulo amado, foi o único que supostamente teve uma forma natural de morte em idade avançada. Ele foi, por anos, pastor da igreja em Éfeso, onde também é dito que ele cuidava de Maria, a mãe de Jesus, atendendo a ordem do Mestre (Jo. 19:26-27). Há uma tradição que diz que João, após seu retorno da ilha de Patmos e não podendo mais andar por si mesmo, era colocado sentado diante da igreja, de onde proferia sempre a mesma mensagem: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus” (1Jo. 4:7).

Enfim, ainda que a informação sobre o ministério e a morte de cada apóstolo seja escassa e na maioria das vezes se reduza apenas à tradição cristã, o fato é que tudo o que se sabe confirma que eles foram obedientes à ordem do Mestre e se dedicaram à pregação do Evangelho até o último momento de suas vidas. Que isso seja uma inspiração para nós e tantos outros que vierem a crer em Cristo como Salvador e Senhor.

Pr. Valdeci Santos

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