Os Limites da Liberdade Cristã

Os Limites da Liberdade Cristã

Talvez pareça estranho colocarmos na mesma sentença as palavras “limite” e “liberdade”. Afinal vivemos em um tempo no qual o pensamento secular tem definido liberdade como fazer tudo aquilo que se tem vontade, sem considerar limites, especialmente os físicos, mentais, emocionais, sociais e, sobretudo, morais – “impostos” pela religião.

Todavia, de uma perspectiva bíblica, liberdade não é fazer tudo o que se tem vontade e sim ter a possibilidade de dizer “não” aos desejos de um coração que é enganoso e desesperadamente corrupto (Jr 17.9). Da mesma maneira que um trem só é livre quando está preso ao trilho, cumprindo o “propósito de sua existência”, o cristão só é verdadeiramente livre quando está “preso” a Cristo e não mais à escravidão do pecado.

Desse modo, a Palavra de Deus preserva a verdadeira liberdade que temos em Cristo por meio de alguns limites, a fim de que nossa vida em todas as situações não seja marcada pela prática do pecado, mas cumpra sua finalidade última de glorificar a Deus. Portanto, vejamos abaixo ao menos 4 limites dos quais a verdadeira liberdade cristã está sempre protegida.

  1. A liberdade cristã é limitada pela santidade. A liberdade que temos em Cristo de maneira alguma pode ser pretexto para a prática do pecado (1Pe 2.16). Pelo contrário, a genuína liberdade cristã sempre conduz à santidade, nunca ao pecado (Gl 5.13). Se nossa liberdade em Cristo não nos torna pessoas mais santas e parecidas com ele, certamente essa “liberdade cristã” não é liberdade, muito menos cristã.
  1. A liberdade cristã é limitada pelo amor a Deus. Ser livre em Cristo significa amar a Deus acima de todas as coisas, inclusive acima de nossos próprios desejos, sonhos e vontades. O amor a Deus reorienta nosso desejo de liberdade pecaminosa para a busca de conhecimento e obediência à vontade dele (Jo 14.21).
  1. A liberdade cristã é limitada pelo amor ao próximo. O uso de nossa liberdade deve também ser pautado pelo amor que temos ao nosso próximo (Gl 5.13,14). Quando o uso de nossa liberdade promove intrigas e fere a consciência de nosso próximo, pecamos contra Cristo e revelamos o egoísmo de nosso coração e a imaturidade de nossa fé (1Co 8).
  1. A liberdade cristã é limitada pela maturidade. Por fim, a liberdade cristã é para aqueles que possuem maturidade cristã. Somente cristãos maduros conseguem enxergar que nem tudo que é permitido necessariamente convém ou edifica (1Co 10.23). É preciso ter maturidade tanto para discernir as situações em que o uso da liberdade promoverá o pecado quanto para dizer “não” a essas possibilidades.

Como definiu John MacArthur, “liberdade em Cristo não é liberdade para o pecado, mas liberdade do pecado”. E tendo em vista o potencial enganoso de nosso coração é sempre bom nos lembrarmos das palavras de Kris Lundgaard: “Você vai saber que está endurecido quando começar a dilatar as fronteiras da liberdade cristã para incluir tolerâncias que no passado o teriam chocado”. Nesse sentido, no uso de nossa liberdade, todo o cuidado é necessário.

Eron Franciulli Coutinho Jr

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