Pais Maus, Pai Bom

Pais Maus, Pai Bom

No próximo domingo, os brasileiros comemorarão o Dia dos Pais. A despeito do pretexto comercial explorado por muitas empresas, que visam traduzir afeições em lucros, creio ser possível enxergar beleza e significado nessa recordação. Não por serem os pais homens perfeitos, mas sobretudo por serem reflexos, ainda que pálidos, do nosso perfeito Pai que está nos céus.

Sendo assim, valho-me aqui de nossa festividade próxima, nem tanto para exaltar as qualidades paternas, mas sim para destacar três características de nosso Pai celestial, o qual é o verdadeiro referencial de paternidade.

  1. Deus é o Pai que não muda. Talvez você já tenha se entristecido com alguns procedimentos de seu pai. Esperava atenção, recebeu descaso. Esperava compreensão, recebeu críticas. Esperava carinho e afeto, recebeu abandono. Em um mundo caído e corrompido é possível que pais sejam instáveis – expressando por vezes uma paternidade pecaminosa, antibíblica e, consequentemente, destrutiva. Contudo, nosso Pai celestial não é assim. A Bíblia diz que nele não pode existir variação ou sombra de mudança (cf. Tg 1.17). Isso significa que nós sempre receberemos dele tudo aquilo que realmente precisamos. Ele nunca falhará ou nos decepcionará.
  1. Deus é o Pai que não se omite. É provável que homens pecadores deixem de cumprir suas responsabilidades físicas, emocionais e espirituais para com seus filhos. Nem sempre os pais fornecem todo o suporte de que seus filhos carecem. Às vezes, eles são até mesmo descuidados e negligentes. Todavia, o Pai que não dorme nem cochila nunca se omite de cuidar de cada detalhe de nossa vida (cf. Sl 121; 127; Mt 6.19-34). Em certa ocasião, Jesus expressou essa verdade, afirmando: “…se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus…” (cf. Mt 7.11). Se até mesmo homens maus (lê-se corrompidos pelo pecado) podem cuidar bem de seus filhos, quanto mais o Pai das luzes o fará, já que nele não há treva nenhuma (cf. Tg 1.17; 1Jo 1.5). 
  1. Deus é o Pai que não se ausenta. Marcas dolorosas são impressas no coração dos filhos por causa da ausência física, emocional e/ou espiritual de alguns pais. Infelizmente, nem sempre ter um pai próximo de nós significa ter um pai próximo a nós – e como cada ser humano carece dessa proximidade! Entretanto, Deus nunca se faz ausente em nossa vida. Até mesmo nos momentos mais difíceis ele não nos abandona (cf. Sl 23). Aos seus filhos, ele promete: “…não te deixarei, nem te desampararei…” (Js 1.5). Nosso Pai celestial prometeu estar conosco e ele cumpre fielmente suas promessas (cf. Js 1.9; Nm 23.19; Hb 10.23).

Enfim, parafraseando o filósofo galês, Bertrand Russel, uma das primeiras percepções que a maturidade proporciona aos filhos (ou pelo menos deveria proporcionar) é o entendimento de que por melhores que sejam nossos pais, eles sempre estarão aquém de nossas reais necessidades. Não apenas porque são pecadores, mas sobretudo porque foram criados para ser reflexos do Pai por excelência. Então, nesse domingo, lembre-se de seu pai com carinho, honrando-o por quem ele é: um instrumento falho e frágil nas mãos de nosso perfeito Pai celestial.

Eron Franciulli Coutinho Jr

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