Pandemia e Escatologia

Pandemia e Escatologia

“Vigiai… porque não sabeis o dia nem a hora.” Mateus 25.13

Jesus está voltando? É inegável que muitos cristãos passaram a refletir um pouco mais sobre essa pergunta nas últimas semanas, por conta da pandemia do coronavírus. Afinal, um cenário mundialmente assustador alinhado a profecias bíblicas que parecem estar associadas a ele (veja Lucas 21.11) causam em alguns a convicção daquilo que foi decretado para ser desconhecido: a data da segunda vinda de Cristo (cf. Mt 24.36; 1Ts 5.2).

A Escritura é muito clara ao dizer o porquê de a igreja não saber com exatidão quando seu Noivo voltará para buscá-la: “Vigiai” (cf. Mt 25.1-13). Desse modo, toda tentativa atual – seja de quem for, líderes ou instituições religiosos – de identificar com precisão o fim dos tempos na melhor das hipóteses não passa de um exercício infrutífero, quando na pior trata-se da busca por uma segurança pecaminosa com fim a uma vida insensata.

Em outras palavras, a igreja de Cristo desconhece quando ele voltará para que se mantenha sempre vigilante à sua espera. Esse é o propósito da ignorância escatológica estabelecida por Deus. Do contrário, a vigilância não seria necessária. Nas palavras de Jesus, “[…] se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão […] não deixaria arrombar a sua casa” (cf. Lc 12.39). A moral da história é: quem não sabe a hora que o ladrão vem deveria vigiar o tempo todo, para não ser pego desprevenido.

Nesse sentido, obedecer ao mandamento de Cristo de sempre vigiar implica ao menos outras duas práticas. Em primeiro lugar, vigiar é viver em santidade. Como o apóstolo Paulo escreveu: “[…] vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse Dia [da vinda de Cristo] como ladrão vos apanhe de surpresa; porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas. Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios” (cf. 1Ts 5.4-6). Ou seja, a verdadeira vigilância sempre se traduz em santidade. Em segundo lugar, vigiar é ansiar por Cristo. Alinhado à vida de santidade está a expectativa pelo retorno do Senhor Jesus. Paulo, ao escrever a Tito, afirma que o cristão deve viver “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (cf. Tt 2.13). Isso significa que a igreja de Cristo deveria vivenciar cada dia ansiando ardentemente pelo seu retorno, assim como a própria criação o faz (cf. Rm 8.19-23).

Concluindo, se Cristo voltará hoje, amanhã ou daqui a 2000 anos nenhum ser humano poderá afirmar com precisão, independentemente da situação em que esteja o mundo. Outros cristãos experimentaram situações semelhantes a essas atuais – ou até piores: peste bubônica no séc. XIV; gripe espanhola no início do séc. XX etc. – e nem por isso afirmaram categoricamente a vinda de Cristo em seus dias.

Em todo o caso, o que deve permear mentes e corações nesses momentos duvidosos quanto ao futuro não são especulações infundadas, mas as palavras de Cristo alertando sua noiva: “Eis que venho como vem o ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha” (Ap 16.15).

Eron Franciulli Coutinho Jr

2 Comments

  1. Sérgio Eustáquio Moreira

    Uma ótima e pertinente mensagem, que nos leva a uma reflexão, partindo do pessoal para o coletivo – familiar, social.
    De fato é preciso haver uma saudável confrontação entre a nossa fé como as circunstâncias que nos cercam, com nossa postura e efetiva ação – o que é demonstrado em nosso testemunho.

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