Por que Deus permite o mal?

Por que Deus permite o mal?

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No dia 12 de março de 2017, uma jovem senhora foi levar o Evangelho para algumas pessoas que moravam em uma chácara no interior de São Paulo. Aquela foi sua última visita ao local, pois como ela chegou mais cedo do que o restante do grupo, ela foi violentada, amarrada a uma cama e assassinada a golpes de marreta. Crimes como esse chocam não apenas pela crueldade, mas também pela frequência com a qual têm ocorrido em nossa sociedade.

Uma simples leitura do jornal diário é suficiente para provar que há algo de errado com esse mundo. As notícias sobre corrupção impune, a crueldade com a qual violência é comumente praticada, os apelos pornográficos, a apologia da homossexualidade etc. são evidências de que o mal faz parte da rotina diária das pessoas. Qualquer pessoa que considera questões como essas logo conclui que “não era para ser assim”! Deveria haver outra alternativa para tanta desgraça no universo. Por que tanto mal?

O mal não se faz presente apenas no noticiário, mas invade nossa agenda diária e nos surpreende com os seus efeitos desastrosos. O que dizer, por exemplo, da angústia de ter sido assaltado, da impotência de vermos nossos filhos sendo influenciados por valores anticristãos, da dor de constatarmos que nossa família se desintegra em meio a tantos problemas, da enfermidade que persiste em não abandonar ou do pavor daquele mal que parece “dobrar a esquina”? Certamente há algo errado não apenas com o mundo, mas também com nossas vidas. Como lidar com a realidade diária do mal que nos assola?

A existência do mal no universo tem se apresentado como uma pedra de tropeço, ou até mesmo um empecilho, para que algumas pessoas acreditem na existência do Deus Bondoso. O argumento geralmente apresentado é: Se Deus existe e ele é, ao mesmo tempo, Todo-Poderoso e Bom, por que ele não acaba com o mal, a dor e a injustiça no universo? Muitas pessoas têm procurado oferecer uma resposta a esta pergunta e alguns até fizeram importantes contribuições sobre o assunto.

Normalmente a pessoa que questiona o poder ou a bondade de Deus diante do “problema do mal” não reflete sobre a origem de sua própria noção de que há algo errado no universo. Como diz C. S. Lewis, “um homem não diz que uma linha é torta se não souber o que é uma linha reta. . . . Um homem sente o corpo molhado quando entra na água porque não é um animal aquático; um peixe não se sente assim” (Cristianismo puro e simples, p. 51). Logo, o reconhecimento da existência do mal só faz sentido se existir, ao mesmo tempo, o bem ou um ser bom que não permite que a mente e o coração humano fiquem satisfeitos com a desgraça constatada ao redor. Como diríamos que algo é ruim se não tivéssemos certa noção do que é bom? Se tudo é mal, até o nosso julgamento da realidade foi afetado por ele. Como, então, podemos desejar tanto que o bem triunfe o mal? De onde veio essa noção de bem?

Segundo a Bíblia, esta noção do bem e o julgamento que fazemos de que há algo mal no universo surgem da própria existência do verdadeiro Deus que é bom e que nos criou à sua imagem. Em outras palavras, nosso juízo sobre o mal só faz sentido se houver em nós alguma faísca do bem. Nossa constatação só pode ser verdadeira se existir um padrão do bem que justifique essa percepção. O ensino bíblico é que Deus criou o ser humano colocando a eternidade no seu coração humano (Eclesiastes 3.11), ou seja, criando-o à sua imagem: segundo o Deus Eterno. Por essa razão, o ser humano não se satisfaz com o mal, mas anseia pelo triunfo do bem.

A segunda coisa a ser observada é que o mal tão facilmente percebido ao redor também existe dentro de nós. As ações humanas são más porque seus sentimentos são maus e porque há algo errado com a natureza humana. Novamente, a Bíblia explica que “todos pecaram” (Romanos 3.23) e logo, o pecado afetou o ser humano e todas as áreas de sua vida, inclusive a intelectual. Dessa forma, para acabar com todo o mal no universo Deus teria que, ao mesmo tempo, extinguir a raça humana, incluindo eu e você. Todavia, ao invés de extinguir, ele sempre tem sido misericordioso, “não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3.9). Somente o arrependimento e a volta do ser humano para Deus podem fazer com que ele experimente a redenção que ele tem para aqueles que o buscam. Além do mais, somente essa redenção poderá retirar “o mal que habita em nós” de dentro do nosso coração.

Em terceiro lugar, a Bíblia afirma que Deus lidará de uma forma final com o mal existente no universo. Haverá um dia de julgamento quando a injustiça e qualquer outra forma de mal será punida definitivamente e o que é reto e justo será recompensado. Em outras palavras, ninguém “se safa” praticando o mal. Contudo, a ocasião desse julgamento é determinada conforme a vontade de Deus, ou seja, o mal não triunfará e nem terá a “última palavra” nesse universo, mas cada expressão de maldade, corrupção e perversidade será julgado pelo Deus Bondoso. Deus possui a palavra final!

Ao contrário do que alguns argumentam a existência do mal não deve ser motivo suficiente para alimentar a incredulidade, mas ela pode ter um efeito oposto, ou seja, até motivar a crença em Deus. Se Deus não existisse, não haveria padrão para julgamento do que é bom ou mal e nenhum valor moral faria sentido em um universo assim. Como afirma C. S. Lewis: “O ateísmo é uma solução simplista. Se o universo inteiro não tivesse sentido, nunca perceberíamos que ele não tem sentido – do mesmo modo que, se não existisse luz no universo e as criaturas não tivessem olhos, nunca nos saberíamos imersos na escuridão. A própria palavra escuridão não teria significado” (Cristianismo puro e simples, p. 52). Somente a existência do Deus Justo, Poderoso e Bom pode trazer qualquer significado para a vida.

2 Comments

  1. Sandro Molina

    “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, PRUDENTES como as serpentes, mas simples como as pombas” (Mateus 10:16). Essa moça foi ingênua em ir à casa de um homem SOZINHA, e não entendeu esse versículo da maneira como Cristo ensinou. Os cristãos devem ser astutos (espertos, cautelosos) como uma serpente, evitando os perigos que encontraram pelo caminho, e estar sempre estar atentos a tudo que se passa, atentos contra aqueles que tentarão lhe enganar e tirar suas vidas. Todo cuidado é pouco! Nosso mundo está cheio de maldade e violência. Povo de Deus: VIGIAI e orai (Mateus 26:41). Primeiro VIGIAI (ação, atitude), depois orai!

    • epmedeiros

      Caro Sandro,
      Obrigado pela interação. Fico contente em ver que outras pessoas além dos membros da igreja estão se beneficiando daquilo que produzimos.
      Quanto ao seu comentário, lembro apenas que o caso da pessoa que foi assassinada foi usado como uma ilustração do que viria a seguir. A realidade é que vivemos em um mundo caído onde o mal está sempre exposto diante de nós!
      Qualquer juízo que fizermos sobre a atitude da mulher assassinada não justifica e nem explica a nossa mente o fato de que ela foi violentamente morta, deixou um esposo e uma criança. Também, não há prudência suficiente de nossa parte para evitar todos os males que ocorrem ao nosso redor. Esse foi o ponto da meditação!
      Por favor, continue acessando e lendo nossas publicações.
      Valdeci Santos

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