Por que Você Deveria Ter Cuidado ao Assistir à Netflix

Por que Você Deveria Ter Cuidado ao Assistir à Netflix

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Por que Você Deveria Ter Cuidado ao Assistir à Netflix


É impressionante como a Netflix tem se tornado popular em todo o mundo. Se eu disser Stranger ThingsOrange is the New BlackNarcos ou House of Cards[1] em algum lugar público, provavelmente várias “orelhas” se inclinarão para ouvir do assunto sem que eu precise explicar do que se trata. Atualmente, quase 100 milhões de pessoas assinam o serviço[2] e garantem acesso a um acervo de aproximadamente 1 milhão de títulos – que se dividem em filmes, séries, documentários, shows, entre outros.[3]

Todavia, o cristão precisa ter cuidado com esse tipo de entretenimento. Cuidado não somente em relação ao tempo gasto, mas também em relação ao conteúdo oferecido. Há perigos explícitos e sutis na plataforma, que podem levá-lo a regredir na fé, na santificação e no entusiasmo em expressar um bom testemunho cristão.

Então, destaco nesse texto três motivos pelos quais o cristão deveria ser ao menos cuidadoso ao assistir à Netflix. Porém, antes, é necessário esclarecer duas questões. Em primeiro lugar, essa não é uma lista exaustiva e, portanto, outras considerações poderiam ser acrescidas a ela. Em segundo lugar, meu objetivo não é demonizar a Netflix, condenando quem a assina e usufrui de seus serviços. Se assim o fizesse, eu seria um hipócrita, porque eu mesmo sou um assinante. Meu objetivo, então, é mostrar como a Netflix, se mal utilizada, pode escravizar o cristão, inserir em sua mente ideais seculares e o conduzir ao pecado.

Só Mais Um…

Certa vez, um amigo que passava férias em minha casa e nunca havia tido contato com a Netflix, gastou 48 horas “vidrado” em Marco Polo. Quando precisávamos sair, logo ele desejava voltar para poder assistir a mais um episódio. Na ocasião, ele descobriu o que os assinantes já sabem: Netflix, quando consumida sem moderação, nos escraviza quanto ao uso do tempo.

O conteúdo, principalmente as séries, buscam a fidelização do cliente. Isso significa que elas são produzidas para que ele termine de assistir a um episódio já querendo desesperadamente assistir ao próximo. Tudo, do roteiro à edição, é feito para cativá-lo, de modo que a frase “vou assistir a apenas mais um” facilmente se torne “assisti à toda temporada e nem percebi”.

Portanto, cuidado com o tempo gasto na Netflix. Até coisas boas e divertidas em excesso tornam-se prejudiciais. Relacionamento, trabalho, estudo e a própria saúde podem ser prejudicados quando se passa horas diariamente em frente à televisão. Pior: o relacionamento com Deus é prejudicado quando preferimos a série favorita às disciplinas espirituais. O apóstolo Paulo afirma: “Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (1Co 6.12). A Netflix tem dominado você, prejudicando sua vida com Deus, com o próximo e o atrapalhando em suas responsabilidades?

Que Série Legal!

Algumas das séries e filmes de maior sucesso na plataforma são categorizados como “Originais Netflix”. Tratam-se de títulos produzidos pela própria empresa. Quem assina sabe que a Netflix tem investido não somente em disponibilizar filmes e séries feitos por grandes produtoras, mas também em disponibilizar cada vez mais conteúdo de produção própria.

O problema é que grande parte das séries originais defendem uma agenda anticristã. Algumas vezes essa defesa é explícita; outras vezes, velada. Constantemente, vemos forte apologia ao casamento homoafetivo, ao aborto e à legalização das drogas. Vemos também a banalização do sexo e do modelo tradicional de família. Vemos ainda inversão de valores, costumes e comportamentos, e muitas vezes, de forma sutil, a ridicularização da fé cristã. Alguns títulos Originais Netflix nos quais encontramos um ou mais desses elementos são: Orange is the New Black. House of Cards, Grace and Frankie, Easy, Sense 8, Eu tu e Ela, etc. Outros títulos semelhantes podem ser encontrados em uma categoria exclusiva denominada “Filmes LGBT”. Uma das maiores evidencias que demonstram o comprometimento da empresa com essas causas citadas acima foi o patrocínio que a Netflix ofereceu à Parada Gay, em São Paulo – inclusive enviando atrizes para a divulgação do evento.[4]

Logo, o cristão precisa ser moderado e cauteloso ao assistir à Netflix, pois a exposição por horas aos ideais anticristãos (lá disfarçados de liberdade e tolerância) podem o conduzir à relativização da fé, aceitação, e quem sabe até apoio, àquilo que Deus expressamente diz abominar em sua Palavra. É claro que dificilmente uma produção televisiva, na Netflix ou em qualquer outro lugar, deixará de conter algum tipo de mensagem anticristã. Contudo, há uma enorme diferença entre absorver com crítica a um conteúdo televisivo e encher a mente, sem crítica alguma, de imagens e diálogos que foram produzidos com o objetivo de moldar a crença e os ideais de uma pessoa. Paulo disse: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm” (1Co 6.12). A Netflix tem influenciado você a aceitar os valores e ideais seculares?

+ 18

Liberdade para escolher ao que assistir, quando quiser e onde quiser, é algo atrativo. A Netflix sabe disso. Quase 1 milhão de possibilidades e a última palavra é a do cliente. Contudo, infiltrados à essas inúmeras opções estão vários títulos com algum tipo de material pornográfico. É claro que não se trata de uma categoria exclusiva, dizendo “porn”, nem de filmes feitos somente com essa intenção. Porém, tratam-se de filmes que, embora não possuam um enredo pornográfico, são extremamente apelativos quanto ao teor sexual, e a única orientação ao cliente sobre isso é o sinal “+18” bem pequeno, no canto da sinopse.

Mesmo sendo possível gerenciar cada perfil para restringir o acesso de crianças e adolescentes a esse conteúdo, não é possível colocar senha nos perfis criados em um televisor, tablet ou smartphone. Uma vez acessado o aplicativo, todo conteúdo estará disponível. Isso significa que uma criança facilmente poderia acessar o perfil de seus pais, por exemplo, e ter contato com material impróprio. Isso também significa que qualquer um, ao navegar pelo acervo, poderia ser tentado a assistir esse mesmo material.

Provavelmente, grande parte dos cristãos usufruem de outras plataformas de entretenimento durante o dia e, com certeza, se desejarem acessar conteúdo impróprio há formas de fazê-lo sem precisar da Netflix. Então, meu ponto aqui não é dizer que a culpa pela impureza de muitos cristãos é da plataforma. Meu objetivo é mostrar que existem perigos sutis aos usuários e que, portanto, prudência é necessária. Paulo diz: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia…” (Gl 5.19). A Netflix tem sido o meio pelo qual as obras de sua carne têm se manifestado?

Conclusão

Com exceção ao conteúdo pornográfico, certamente proibido pela Bíblia (Rm 1.24; 6.19; 1Co 6.13; 10.8; 12.21, entre outros), as questões do tempo de consumo e da crítica à agenda anticristã não são necessariamente pecaminosas. O que vai determinar se isso é pecado ou não é o modo como nós nos relacionamos com elas. Então, proponho abaixo algumas formas práticas de usufruir da Netflix sem que ela se torne um empecilho para nossa fé e para nosso crescimento espiritual.

Em primeiro lugar, lembre-se de que, como mordomo, você prestará contas a Deus de todas as coisas que foram colocadas em suas mãos, inclusive do tempo gasto com entretenimento. Então, seja mais criterioso no uso de seu tempo livre. Em segundo lugar, tenha prudência e crítica quando assistir aos filmes e às séries. Não se deixe influenciar cegamente por eles. Antes, procure sua identidade e seus valores em Jesus Cristo. Uma boa forma de fazer isso é dialogando mentalmente com o que lhe é projetado, pontuando o que está errado de acordo com a cosmovisão cristã. Em terceiro e último lugar, tome medidas preventivas quanto ao perigo de acessar material pornográfico. Uma boa dica é não acessar a Netflix sozinho e, semanalmente, prestar contas a um amigo sobre seus acessos. Seguindo essas prescrições é possível desfrutar do entretenimento sem que ele o domine, cauterize sua mente e o conduza ao pecado.

 

Por Eron Franciulli C. Júnior

 

[1]Séries de grande sucesso da Netflix.

[2]folha.uol.com.br/mercado/2017/01/1851185-netflix-se-aproxima-de-100-milhoes-de-assinantes-metade-fora-dos-eua.shtml.

[3]tvefamosos.uol.com.br/noticias/ooops/2016/fim-do-misterio-saiba-quantos-filmes-e-episodios-ha-na-netflix-no-brasil.htm.

[4] https://twitter.com/netflixbrasil/status/462638117582028800

4 Comments

  1. Marcelo Luiz da Silva

    Boas observações Eron! Eu assisto muito a NETFLIX e tenho as mesmas impressões… o cristão precisa ficar atento cada dia mais!

  2. Aracy Alt Fausto

    tudo que ser feito com moderação, é a mesma coisa de ficar no celular o tempo todo. Assistindo filmes, jogando. Os familiares não conversam mais entre si. Nada é proibido, desde que se tenha consenso em usar, disciplina .

  3. Erinaldo Gonçalves

    Parabéns pelo conteúdo da mensagem, muito edificante. Sabemos que isto verdadeiramente acontece, devemos vigiar mesmo.

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