Proteja sua esposa (de você mesmo)

Proteja sua esposa (de você mesmo)

A preocupação com segurança familiar em um gigantesco centro urbano como São Paulo, onde os índices de violência sempre se mantêm em patamares elevados, parece algo elementar a muitos de nós, homens cristãos. Câmeras de segurança, alarmes, carros blindados, seguros de vários tipos e uma infinidades de outros produtos e serviços são alguns instrumentos utilizados para protegermos a quem amamos.

O grande problema é que muitos homens cristãos, que se esmeram em proteger suas esposas de possíveis ameaças externas, não percebem um perigo real, próximo e com potencial altamente destrutivo dentro de casa: o pecado deles próprios. Veja como Richard D. Phillips colocou isso em seu livro Homens de Verdade:

Quando Paulo diz que o marido deve admitir o próprio sacrifício pelo bem-estar de sua esposa, isso obviamente inclui sua segurança física. Mas a principal ameaça contra a qual um homem deve proteger sua esposa é o seu próprio pecado. Certa vez, um amigo expressou seu despertamento para essa verdade com as seguintes palavras: “Eu costumava pensar que, se um homem entrasse em minha casa para atacar minha esposa, eu certamente resistiria a ele. Mas, então, percebi que o homem que entra em minha casa e ataca minha esposa todos os dias sou eu, com minha raiva, minhas palavras duras, minhas reclamações e minha indiferença. Como cristão, percebi que o homem que eu precisava matar para proteger minha esposa era eu mesmo como pecador”. Isso está perfeitamente certo.

Ou seja, homens cristãos devem matar o “eu pecador” todos os dias se quiserem o bem de suas esposas. Para isso, eles devem não apenas mortificar sua velha natureza – prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; […] ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar (Cl 3.5,9) –, mas, sobretudo, amar a esposa assim como Cristo amou a igreja e se entregou por ela (Ef 5.25).

De maneira prática isso implica, em primeiro lugar, amarmos e buscarmos a Deus de todo o coração, alma, forças e entendimento (Lc 10.27). Somente pela graça daquele que nos amou primeiro é que podemos amar ao nosso próximo como a nós mesmos. Sem ele nada podemos fazer (Jo 15.5). Além do que não há ninguém mais próximo do que aquela que é “ossos dos meus ossos e carne da minha carne (Gn 2.23). Em segundo lugar, implica tratarmos nossa esposa com dignidade (1Pe 3.7). Ou seja, estimá-la, ajudando-a em suas necessidades e fraquezas, orando com ela e prezando para que cresça no conhecimento de Deus. Em terceiro lugar, implica ainda nos lembramos diariamente de que, como filha de Deus, nossa esposa está sob a autoridade última do soberano Senhor e de que prestaremos contas a ele pelo modo como cuidamos dela.

Portanto, amar a esposa não é somente protegê-la dos perigos que vem de fora, mas protegê-la, especialmente, daqueles que estão em nós. Neutralizar a ameaça de indiferença, reclamações injustas, comparações indevidas e exigências irreais – ou seja, do nosso coração pecador – que representamos a ela deve ser exercício diário, na graça daquele que amou perfeita e totalmente sua noiva: a igreja.

Eron Franciulli Coutinho Jr

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