Quais São suas Necessidades?

Quais São suas Necessidades?

Quais são suas necessidades?

Para Edward Welch, essa pergunta pode ser respondida de diferentes maneiras. “Depende de quem está fazendo a pergunta e do momento em que ela é feita”[1], escreve ele. Isso se deve ao fato da palavra necessidade ter um campo semântico bastante amplo e ambíguo em nossos dias – o que gera muita confusão.

Afinal, o que dizemos ser a nós necessário, de fato o é?

Segundo Welch, algumas vezes usamos a palavra sem discernirmos suas implicações – daí a confusão. Sendo assim, vejamos abaixo ao menos três desses usos bem como as dificuldades práticas que cada um deles apresenta a nós, no sentido de refletirmos sobre as nossas reais necessidades.

  1. Em primeiro lugar, há um uso biológico. Aqui, necessidade se refere às necessidades físicas mais vitais. Portanto, acertadamente afirmamos: “eu necessito de água e comida para viver”. Ou: “eu necessito de abrigo e de vestimenta”. Entretanto, como estamos acostumados a ter o necessário para a manutenção da vida, a dificuldade que aqui se apresenta a nós é a de nos esquecermos de ser gratos a Deus pelo suprimento diário de nossas necessidades mais básicas. Outro problema acontece quando confundimos aquilo que é necessidade e aquilo que é desejo. Veja isso, no tópico seguinte.
  1. Em segundo lugar, há um uso volitivo. O termo necessidade no sentido volitivo é usado para descrever o fato de desejarmos muito algo, embora possamos viver sem o objeto de nosso desejo. Talvez seja esse o uso mais comum e irrefletido em nossos dias. Assim, dizemos: “eu necessito comer um chocolate”. Ou: “eu preciso comprar aquela roupa”. Ou ainda: “eu preciso de um Big Mac”. Como mencionei acima, a dificuldade que aqui se apresenta a nós é a de colocarmos sobre os nossos desejos corriqueiros o status de necessidades vitais – ou seja, confundirmos o que realmente necessitamos com aquilo que queremos muito. Se assim o fizermos, correremos um sério risco de vivermos escravizados aos nossos desejos – o que facilmente pode se tornar perigoso e autodestrutivo.
  1. Em terceiro lugar, há um uso espiritual. Segundo Welch, aqui o termo necessidade faz referência ao perdão e à redenção em Cristo – e se trata de nossa necessidade mais fundamental. Não erramos quando afirmamos: “eu necessito, mais do que tudo, de Jesus”. De fato, carecemos de sua graça até mesmo para respirarmos. A dificuldade que se nos apresenta nesse ponto é a de relegarmos nossa necessidade espiritual a uma categoria secundária. Ou seja, deixarmos de viver para Cristo e vivermos para nós mesmos, acreditando que necessitamos mais de coisas terrenas e menos de Cristo.

Do que então, realmente, necessitamos?

Em primeiro lugar, necessitamos avaliar continuamente o que estabelecemos como nossas necessidades. Temos um coração enganoso, corrupto e desajustado, que sempre deseja e busca o contrário do que ele realmente necessita. Precisamos urgentemente enxergar nossas “necessidades não necessárias”.

Em segundo lugar, necessitamos ser continuamente lembrados pela Palavra de Deus de onde se encontra a verdadeira satisfação para as nossas necessidades. Portanto, termino com as palavras de Cristo, no evangelho de Mateus:

“Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã…” (Mateus 6.25-34).

Eron Franciulli Coutinho Jr

[1] Quem Somos? Necessidades, Anseios e Imagem de Deus no Homem. Coletâneas de Aconselhamento Bíblico (Vol. 1). CCEF/Seminário Bíblico Palavra da Vida. Pág.42.

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