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Quatro Sinais de Legalismo Religioso em Nosso Coração




Por legalismo religioso refiro-me aqui não ao amor à lei de Deus e ao desejo de obedecê-la. Afinal, essa é uma das finalidades da redenção consumada por Cristo e aplicada pelo Espírito Santo no coração do crente (1Pe 1.2; Rm 6.4; Ef 2.9). Na verdade, por legalismo refiro-me àquela obediência externa e utilitarista da lei de Deus, na qual existe somente a intenção de impressionar os outros, alcançar recompensas ou evitar algum tipo de punição divina – atitude comparada a dos fariseus na época de Jesus.

Nosso coração enganoso e com resquícios de autossuficiência por vezes desconsidera o que Cristo já fez em nosso lugar: obedeceu perfeitamente toda a lei de Deus e sofreu a punição por aqueles que nem de longe conseguiram fazer o mesmo. Quando isso ocorre, menosprezamos Cristo e sua obra, pois tolamente cremos que podemos salvar a nós mesmos por meio da observância perfeita da lei. Não podemos. Se pudéssemos Cristo não precisaria obedecer e morrer em nosso lugar.

Há, no entanto, alguns sinais que nosso coração emite quando flertamos com o legalismo. Olhando para a reação do filho mais velho na parábola do filho pródigo, especialmente quando o filho mais novo volta para casa de seu pai, Timothy Keller nos ajuda a identificar quatro sinais de um coração que está confundindo o evangelho com legalismo religioso[1] 1. Vejamos, abaixo, esses sinais.

  1. Ira. Na história, o filho mais velho se enche de ira quando seu irmão retorna (“ele se indignou” Lc 15.28). Isso se deu pelo fato de seu pai não somente aceitar de volta o filho penitente, mas ainda presenteá-lo com um grande banquete. Em sua percepção não era seu irmão quem merecia a festança e sim ele próprio, uma vez que era moralmente obediente. Quando seu pai demonstrou graça com quem não merecia, seu coração explodiu em ira. Esse é o primeiro sinal de um legalista: crer que tudo deve acontecer à sua maneira, pois é merecedor. Quando Deus não se dobra àquilo que ele espera, a ira vem à tona. Em outras palavras, a obediência de um legalista é apenas uma maneira de tentar controlar os acontecimentos e sua ira é uma consequência de perceber que Deus não é controlável.



  1. Altivez/soberba/orgulho. Na parábola, o filho mais velho não se via pecador como o filho mais novo – pelo menos não no mesmo nível de perdição. Isso fica evidente até mesmo pela maneira como ele se refere ao irmão: “esse teu filho” (Lc 15.30). Para ele havia uma diferença abismal entre ele e seu irmão e isso deveria ser levado em consideração no sistema paterno de recompensas e punições. E esse é outro sinal do legalismo religioso: sentimento de superioridade com relação aos demais. Isso acontece quando deixamos de perceber o potencial pecaminoso de nosso coração e passamos a acreditar que nossa obediência moral nos faz merecedores do favor divino. O resultado prático dessa altivez é a falta de compaixão e perdão àqueles que nos ofendem. Como escreve Keller, “é impossível perdoar alguém quando você se sente superior a essa pessoa”.[2] 2



  1. Sentimento de Escravidão. Em seu diálogo com o pai, o filho mais velho retruca: “há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua” (Lc 15.29). O termo “sirvo” aqui remete ao trabalho escravo. Ou seja, ele estava dizendo que era como um escravo de seu pai. Com essas palavras o filho mais velho revela que sua obediência era mero dever. Não havia alegria, prazer ou amor em servir ao pai. Apenas obrigação penosa. Portanto, eis o terceiro sinal de um coração legalista: a observância da lei de Deus como um mero dever, que causa mais peso do que alegria. No final das contas, pessoas assim não servem a Deus. Servem a si mesmas. O único objetivo de suportar o peso e o desgaste da obediência é ter seu procedimento devidamente notado e recompensado.



  1. Insegurança. Por fim, o filho mais velho diz ao pai: “nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos” (Lc 15.29). Sua afirmação deixa explicita a insegurança que estava em seu coração em relação ao amor do pai. Para ele seu pai não o amava, uma vez que ele não recebeu a mesma demonstração de amor que seu irmão havia recebido. Portanto, o quarto sinal de um coração legalista é a insegurança em relação ao amor de Deus. “Irmãos mais velhos” acreditam que o pai somente os ama por seus próprios méritos. Quando algo sai errado, esse amor é colocado em dúvida.


Enfim, todo cristão luta contra o legalismo – essa tentativa de ser seu próprio salvador por meio da obediência moral. Nesse sentido todo cuidado é pouco, pois a parábola nos mostra que até mesmo alguém que quase nunca violou as regras (irmão mais velho) pode estar tão perdido quanto o mais devasso e imoral dos homens (irmão mais novo)[3] 3. Ira, altivez, sentimento de escravidão e insegurança em relação ao amor de Deus são alguns sinais de que nosso coração está confundido o evangelho com legalismo religioso.

Eron Franciulli Coutinho Jr

 

[1] 4KELLER, Timothy. O Deus Pródigo. Págs. 75-80.

[2] 5Idem. Pág. 80.

[3] 6Idem. Pág. 57.
Links:
  1. applewebdata://D1E78411-C877-4DF1-B5AB-4F1D6280BD7 2#_ftn1
  2. applewebdata://D1E78411-C877-4DF1-B5AB-4F1D6280BD7 2#_ftn2
  3. applewebdata://D1E78411-C877-4DF1-B5AB-4F1D6280BD7 2#_ftn3
  4. applewebdata://D1E78411-C877-4DF1-B5AB-4F1D6280BD7 2#_ftnref1
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