Suas Roupas Falam! O Que Elas Estão Dizendo Sobre Você?

Suas Roupas Falam! O Que Elas Estão Dizendo Sobre Você?

pastoralRecentemente, eu, Amélia e dois grandes amigos assistimos à comédia Crazy, Stupid, Love – produzida pela Warner Bros, em 2011. O filme conta a história de Cal Weaver (Steve Carell), um homem de meia-idade, traído e abandonado por sua esposa Emily Weaver (Julianne Moore) e, por isso, prestes a se divorciar. Certo dia, muito desanimado com sua situação amorosa, Cal vai a um bar “afogar as mágoas” em alguns drinks. Lá, ele conhece o jovem Jacob Palmer (Ryan Gosling) que, ao perceber seu desâ­­­­­nimo, propõe ajudá-lo a resgatar sua masculinidade, a fim de que Emily se arrependa de tê-lo traído.

Um dos pontos altos da trama se encontra no modo como Jacob se dispõe a ajudar Cal: repaginando seu look com roupas de grifes famosas. Após um “banho de loja” – e um belo rombo no cartão de crédito – Cal passa a se sentir cada vez mais confiante para, então, mostrar à Emily o que ela havia perdido. Não contarei como a história se desenrola a partir desse ponto (odeio spoiler!), mas posso adiantar que se trata de uma comédia divertida, que garantiu algumas risadas a todos nós.

No entanto, meu objetivo nesse texto não é analisar biblicamente os valores que o filme propõe sobre casamento, dinheiro, bebida ou masculinidade. Meu principal alvo é usá-lo como ilustração de uma das proposições centrais de seu enredo, que pode ser resumida na seguinte sentença: o modo como nos vestimos revela como nos sentimos e o que desejamos alcançar ao fazê-lo. Em outras palavras, não seria exagero dizer que nossas roupas revelam alguns anseios do nosso coração e mostram como lidamos com eles. Penso que ao menos quatro anseios podem se evidenciar quando nos vestimos: queremos ser aceitos, valorizados, desejados e observados.

Porém, antes de refletirmos sobre cada um desses tópicos, permita-me esclarecer algumas questões. Não tenho a intenção de dizer aqui o que você deve ou não vestir. Se você é um cristão, a Palavra de Deus já o orienta nesse sentido (cf. Dt 22.5; Pv 7.10; Mt 6.25; 1Tm 2.9,10 – 6.8; 1Pe 3.3-5, etc.). Também não tenho a intenção de julgar e criticar o coração de uma pessoa apenas pelo modo como ela se veste. Somente Deus sonda e esquadrinha os corações (Sl 139; Jr 17.10). Logo, minha única intenção é mostrar que até o vestuário pode ser um indicador dos seus anseios mais íntimos. Dito isso, passemos aos tópicos:

Minhas roupas dizem que eu quero ser aceito

É evidente que roupas promovem aceitação e inclusão social. Vestirmo-nos de um modo específico é importante quando buscamos identificação com algumas pessoas ou frequentamos alguns ambientes. Quem nunca usou determinada cor, estampa ou um acessório apenas para se sentir parte de algum grupo ou ir a um certo lugar? Podemos até dizer que isso é exclusividade de adolescentes, mas não é. Sempre que nos vestimos, o fazemos para, de algum modo, nos sentirmos aceitos. Por vezes, o fazemos sem ao menos perceber! O grande problema dessa busca surge quando nos esquecemos de que já fomos completamente aceitos por Deus em Jesus Cristo e buscamos saciar nosso coração carente de aceitação com alguma peça de roupa que promove a inclusão em algum grupo ao qual desejamos pertencer. Então, como suas roupas têm revelado sua necessidade de ser aceito e como você tem lidado com ela?

Minhas roupas dizem que eu quero ser valorizado

Roupas não somente promovem aceitação e inclusão social, mas também agregam valor às pessoas. Marcas famosas, com preços exorbitantes nas etiquetas, oferecem esse “serviço”. Nas entrelinhas, suas propagandas dizem: “vista-se com … (preencha esse espaço com o nome de uma grife italiana à sua escolha) e você terá o valor que procura”. Quem nunca comprou determinada marca apenas para se sentir mais valorizado? É necessário dizer que não há problema em possuirmos roupas de marcas renomadas. O grande problema surge quando nos esquecemos de que nosso maior valor se encontra no fato de termos sido comprados pelo sangue de Cristo – o único que possui valor infinito e inerente – e passamos a buscar valor em pedaços de pano com algum nome ou desenho conhecido. Logo, como suas roupas têm revelado sua necessidade de ser valorizado e como você tem lidado com isso?

Minhas roupas dizem que eu quero ser desejado

Roupas, além de promover aceitação social e agregar valor ao indivíduo, também podem ser usadas para despertar interesse sexual em outras pessoas. Nesse caso, o que chama a atenção não é somente a vestimenta transparente, justa ou curta, mas também a forma como as roupas são combinadas entre si – destacando os “pontos estratégicos”. Quem nunca usou determinada roupa somente com o objetivo de despertar o interesse de outra pessoa? Obviamente, querer ser desejado não é o problema, já que somos seres criados para desfrutar de um relacionamento conjugal. O grande problema surge quando essa busca se dá em contexto e tempo inapropriados, ou seja, fora do casamento. Consequentemente, isso resulta em práticas condenáveis pelo próprio Deus: prostituição, impureza, lascívia e adultério (Gl 5. 19). Então, como suas roupas têm revelado sua necessidade de se sentir desejado e como você tem lidado com ela? Se você é casado/a, você se veste para ser desejado/a por outra pessoa que não o seu cônjuge?

Minhas roupas dizem que eu quero ser observado

Por fim, roupas também servem como instrumentos para atrair a atenção dos outros a nós. Panos e cores funcionam como uma espécie de vitrine, na qual somos expostos e apreciados. Quem nunca, ao comprar uma roupa, pensou no impacto que ela causaria nas outras pessoas? Quem nunca pediu opinião ao amigo, ou a algum parente, ainda dentro do provador de uma loja? Nos preocupamos com que os outros pensam de nós, porque desejamos ser observados e bem avaliados pelas pessoas de nosso círculo social. Belas roupas proporcionam isso. O grande problema surge quando nos esquecemos de que os olhos do Senhor estão sobre nós (Sl 33.18) e buscamos nos olhares alheios suprir nosso desejo de atenção. Logo, como suas roupas têm revelado sua necessidade de ser observado e como você tem lidado com ela?

O Deus que nos veste

Quando Adão e Eva pecaram, um dos primeiros atos da graça de Deus foi vesti-los com roupas de pele de animais, auxiliando-os na vergonha que sentiam por estarem nus e protegendo-os de seus próprios corações – que se tornaram corruptos e perversos (Gn 3.21). Desse modo, entendendo que roupas são um meio pelo qual Deus protege suas criaturas de si mesmas, não devemos tratar o assunto como apenas mais um meio de manifestação cultural, como a sociedade contemporânea muitas vezes trata. Vestimentas são, antes de mais nada, uma manifestação religiosa, pois refletem nossa relação com Deus! Quando nos vestimos, inevitavelmente, adoramos a Deus ou idolatramos nossa própria imagem.

Portanto, lembre-se de seus anseios quando for se vestir. Examine com cuidado seu real desejo ao escolher aquele look. Querer ser aceito, valorizado, desejado ou observado não é o problema. O problema é crer que suas roupas podem proporcionar a saciedade completa para esses anseios. Não podem. Apenas Deus, o instituidor da vestimenta, pode saciar nossos anseios mais profundos. Então, antes de abrir seu guarda-roupas, vista-se, sobretudo, com a graça dele!

Eron Franciulli C. Júnior