Um pobre enriquecido pela graça

Um pobre enriquecido pela graça

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3)

O cenário geográfico foi um monte. Aquele era um local elevado, próximo ao Mar da Galiléia, a sudoeste de Cafarnaum [1]. Os ouvintes eram homens, mulheres e possivelmente crianças da região da Palestina. O palestrante era Jesus, o maior pregador do mundo. A mensagem era aquela capaz de mudar paradigmas e a própria vida dos ouvintes. O tema da mensagem foi a felicidade segundo Deus. Foi nesse contexto, com o Supremo mestre e com as pessoas que inicialmente o ouviram, que nasceu o sermão mais impactante da história, o “Sermão do Monte”.

Analisando a primeira bem-aventurança do sermão do monte, quero ponderar, inicialmente, o que não significa ser “humilde de espírito”. Não significa ser pobre e fraco, segundo o conceito humano. Não quer dizer também uma falsa humildade, daquela que diz: “Não tenho valor, não sou capaz, etc”. A humildade ensinada por Jesus é o oposto das atitudes de autoafirmação e de exaltação pessoal que comumente vemos em nossa sociedade. Antes, “humilde de espírito” significa ter uma opinião correta de si mesmo (Rm 12.3), conhecer-se, aceitar-se e buscar ser autêntico à luz da Palavra de Deus e para a glória do Senhor.

Nessa bem-aventurança, Jesus não proclama que as pessoas são felizes simplesmente por serem pobres de bens materiais. Mas, são chamados de bem-aventurados aqueles que são pobres de espírito, ou seja, aqueles que se convenceram de sua pobreza espiritual e se apresentam de mãos vazias diante de Cristo Jesus, aguardando dele a manifestação da Sua graça. Essas pessoas são conscientes de seu estado de miséria, pecado, orgulho e soberba, e, ao aproximar-se do Salvador, clamam: “Ó Deus, sê propício a nós, pecadores” (Lc18.13).

Se você quer alcançar essa alegria da parte de Deus será necessário, pelo menos, três passos principais:

1. Ser submisso e humilde. “O júbilo divino não é dado por meio de conquista, mas do reconhecimento de nossa completa destituição moral e admissão da pobreza interior.” [2] Em outras palavras, é preciso declarar falência espiritual e reconhecer que você não é nada, que seus bolsos estão vazios e que as suas opções humanas e terrenas já não existem mais. Será preciso deixar de exigir seus direitos/ Justiça e pedir misericórdia e graça ao Senhor.

2. Reconhecer a supremacia e o senhorio de Cristo Jesus. Ao invés de se gloriar em sua força, você deverá buscar em oração e súplica a face do Senhor todo poderoso. Do ponto de vista humano, admitir o fracasso geralmente não leva à alegria, declarar a sua fraqueza nem sempre o fará forte. Mas, visto pela ótica de Deus, quando assim fazemos somos visitados com a graça do nosso Senhor e Salvador Jesus, com o amor do Pai e com o consolo e fortalecimento do Espírito Santo. Em outras palavras, sairemos do senso comum e puramente humano para uma vida nova e abundante com o nosso Salvador Jesus.

3. Seguir o exemplo de vida de Jesus. “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Fl 2.5-8). Não há melhor referência nessa área, para nossa vida, do que o Senhor Jesus.

Portanto, abra mão do seu orgulho e vanglória. Lance fora os valores vazios desse mundo. A verdadeira felicidade está fundamentada no ser e não no ter. Ela é uma recompensa a ser experimentada tanto no presente quanto no futuro. Ela está alicerçada nos valores do Reino divino e eterno, ela brota do coração de Deus para o seu coração. “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3). Comece a experimentar esse Reino hoje. Seja enriquecido e feliz debaixo da graça de Deus.

Pr. Fábio B. Coutinho

[1] Enciclopédia da Bíblia / Vários autores: tradução Cultura Cristã – SP, 2008, pg 367-369.

[2] O Aplauso do Céu/ Max Lucado. São Paulo,SP: Hagnos, 2005, pg. 44.

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