Uma séria advertência contra a distorção do ensino da Palavra de Deus

Uma séria advertência contra a distorção do ensino da Palavra de Deus

cadeado_biblia“Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que eu vos mando.” — Deuteronômio 4.2

“Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro.” — Apocalipse 22.18,19

O dito “a Bíblia é a mãe de todas as heresias” é bastante conhecido. E hoje em dia ele é popularmente utilizado para se afirmar que a existência de diversas seitas cristãs é culpa da própria Bíblia, que permite muitas interpretações. Essa é uma visão bastante equivocada, pois a Bíblia é a inspirada, inerrante e infalível Palavra do próprio Deus dada aos homens (2Tm 3.16; 2Pe 1.20-21). Porém, por vezes, esse mau dito constata que muitos falsos ensinos surgiram a partir da distorção das verdades pertencentes às Escrituras.

De fato, são inúmeras as seitas cristãs que surgiram ao longo dos séculos, cada uma reivindicando possuir algum fundamento bíblico. Como antecipou o apóstolo Pedro, falsos mestres surgiram e, de fato, introduziram “dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor” (2Pe 2.1). E como constatou Judas, esses são “homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (Jd 4). Além dessas passagens, há muitas outras que tratam esses falsos mestres com a mesma perspectiva, afirmando serem eles adversários do Evangelho, homens fraudulentos, cujo ensino dever ser rejeitado (cf. Fp 3.18; 2Co 11.13-14).

Entretanto, vivemos dias nos quais a perspectiva da Palavra de Deus contra esses falsos mestres e suas heresias destruidoras tem sido tratada com pouca importância. De um lado, o amor idólatra à pluralidade, denominado ilusoriamente de tolerância ao pensamento do outro, é um veneno que pode intoxicar o povo de Deus. Do outro, pelo fato de uma multiplicidade de falsos cristianismos constituir a realidade do nosso cotidiano, os olhos dos servos de Cristo podem ser ofuscados quanto à singularidade da fé cristã e à destrutividade dessas heresias.

Por isso, precisamos ser alertados da séria advertência contra tal distorção, feita pelo próprio Senhor, a fim de não olharmos com aceitação aos que corrompem a Bíblia. Nem tampouco aceitarmos qualquer ensino que seja corrupção da Palavra de Deus.

E mesmo que a natureza da Bíblia, como Palavra de Deus, seja motivo suficiente para proibir alguém de ousar deturpá-la, o próprio Senhor Deus deixou-nos escrita severa advertência de juízo a quem deliberadamente distorcer o ensino da Bíblia. Isso pode ser visto já no livro de Deuteronômio, perpassando as Escrituras, até ser reiterado nas últimas palavras do livro de Apocalipse.

Assim, está registrado no início do Antigo Testamento que, quando os israelitas estavam prestes a entrar na terra prometida, Moisés os exortou a obedecer ao ensino que Deus tinha dado a eles, para viverem. Sendo necessário, para tanto, não acrescentar nenhum ensino ou fazer qualquer interpretação distorcida, nem omitir ou atenuar alguma parte de sua vontade (Dt 4.2). Igualmente, tratando dos falsos profetas, ele advertiu Israel a não acrescentar ou diminuir nada das Escrituras (Dt 12.32). Em Provérbios 30.5-6, por sua vez, há uma exortação para não se acrescentar nada à Palavra de Deus, que é pura.

Já no Novo Testamento, é também possível encontrar tal preocupação. Gálatas 1.6-9 afirma que qualquer um que se propor a perverter a mensagem do Evangelho de Cristo é considerado como anátema (maldito). Exortação que é igualmente encontrada nas palavras finais do último livro da Bíblia, onde o próprio Cristo fala que se alguém acrescentar algo às palavras da profecia deste livro, flagelos seriam impostos a ele; e se tirar algo, dele seria tirada a parte da árvore da vida e da cidade santa (Ap 22.18-19). Uma advertência severa que implica em punição temporal, flagelos, e punição eterna, restrição do acesso à árvore da vida e à cidade santa.

Assim, o que esses textos nos ensinam? Primeiro que, embora os textos de Deuteronômio 4.2, Deuteronômio 12.32 e Apocalipse 22.18,19 se refiram primariamente ao conteúdo desses mesmos livros, o princípio se aplica a todos os demais livros da Bíblia, pois são igualmente inspirados por Deus. Essa afirmação pode ser comprovada pelos princípios gerais de Provérbios 30.5-6 e Gálatas 1.6-9.

Segundo, que essa não é uma condenação a cristãos com entendimento divergente quanto a interpretações da Bíblia em questões que não deturpam doutrinas fundamentais da fé cristã. Antes, é uma advertência severa de Deus àqueles que deliberada e conscientemente corrompem o ensino das Escrituras, próprio dos falsos mestres.

Terceiro, que todos os que temem ao Senhor devem olhar com mais seriedade para os falsos mestres. Tanto para não tratar com normalidade os que estão debaixo do juízo de Deus – são considerados malditos (Gl 1.9) e recebem severo o juízo de Deus (Ap 22.18-19) – quanto para não se deixar iludir por qualquer ensino que seja perversão da verdade da Palavra de Deus.

Que o Senhor nos dê disposição para amar e honrar sua Palavra.

Sem. Marcos Rogério F. Santos

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