Você é um Crítico ou Colaborador em sua Igreja Local?

Você é um Crítico ou Colaborador em sua Igreja Local?

Qualquer engraçadinho que ler o título dessa pastoral dirá que colabora com a igreja por meio de suas críticas! Mas o fato é que esse assunto demanda uma resposta mais séria do que algumas gracinhas. Na verdade, há ocasiões na vida cristã, independentemente do tempo de conversão da pessoa, quando o cinismo parece se tornar extremamente convidativo. Quando menos percebemos, se é que percebemos, nossas conversações sobre a igreja acabam consistindo de reclamações e críticas a outros irmãos.

Esse exercício ainda é facilitado pelo fato de que há defeitos na igreja e muitas coisas podem ser apropriadamente criticadas. Alguns, focalizarão o estilo musical. Outros, enfatizarão algum aspecto doutrinário, a obsolescência do departamento infantil ou inexistência do mesmo. Ainda há tantos que criticarão a falta da participação de certos membros ou a apatia de outros que parecem nunca ajudar e assim por diante. Dessa forma, várias críticas são verdadeiras e merecem ser feitas, pois, a igreja não é uma instituição perfeita, mas povo que caminha rumo à perfeição.

Todavia, no processo de fazer críticas, há o momento no qual o que deveria ser benéfico se torna doentio. Quando isso ocorre, passamos a ser vistos apenas como “críticos” e “murmuradores” e, pior, começamos a ter prazer em nosso desapontamento pessoal com a igreja e seus frequentadores. Nesse ponto, nossos comentários sobre a igreja deixam de ter o propósito de colaborar e se tornam mais um problema a ser corrigido!

A fim não cruzarmos a linha limite entre o crítico e o colaborador precisamos considerar algumas verdades de que geralmente nos esquecemos no momento da crítica. Se nos lembrássemos desses princípios, certamente nossas conversações seriam mais edificantes e benéficas ao corpo de Cristo.

  1. O crítico é parte do problema. A igreja consiste de pessoas marcadas pelo pecado e necessitadas da graça, da maturidade e da sabedoria de Deus. Além do mais, o pecado não nos permite olhar para a igreja corretamente sob a ótica de Cristo. Assim, não é apenas a igreja que é “distorcida”, mas nossa própria perspectiva sobre a igreja necessita de correção. Se nos lembrarmos dessa verdade, seremos mais humildes em nossos comentários e mais prontos a oferecer ajuda.
  2. Os motivos da crítica nem sempre são puros. Algumas vezes criticamos outros para parecermos melhores do que eles, ocultando assim nossos erros e fraquezas. Com isso, nos distanciamos dos “faltosos” e fugimos da responsabilidade! Há ainda o fato de que muitas vezes criticamos outros para que as pessoas reparem no “bem que estamos fazendo”. Todos gostamos de ser elogiados e quando isso não acontece ficamos frustrados, nos sentimos injustiçados e atacamos outros que não estão trabalhando como nós! Todavia, o fato é que nem sempre nossos motivos são os melhores quando abrimos os lábios para reclamar dos outros.
  3. A crítica expõe não apenas o erro dos outros, mas também as fraquezas do crítico. Poucos são os que ouvem os críticos por certo tempo e continuam seus admiradores. Não demora muito para essas pessoas identificarem sinais de ingratidão, falta de generosidade, soberba, arrogância, ironia e outras “qualidades” em alguém que se dedica a reclamar e criticar outras pessoas. Além do mais, logo o crítico se revela que não é digno de confiança, pois se ele reclama de tantos ao seu redor, logo começará a reclamar até dos que estão mais próximos.
  4. A crítica descabida desagrega ao invés de edificar e construir. Uma igreja nunca será santificada pela censura sem causa nem pela maledicência causada por aqueles que se especializam em criticar os outros. Também, o mais provável é que as pessoas próximas ao crítico também se afastem dele. É possível que chegue o momento no qual elas não se interessem mais pelo seu conteúdo e nem por seus comentários continuamente negativos. Enfim, o resultado final será a desunião.

Seria possível apontar outros aspectos negativos da crítica descabida, mas os quatro acima já parecem demasiadamente sérios para nos levar a refletir primeiro, antes de prosseguir nessa caminhada. Todavia, alguém pode perguntar qual seria a maneira correta de corrigir algo errado na igreja local. Ou seja, como colaborar para que uma pessoa que não está trabalhando, contribuindo ou mesmo se interessando adequadamente pela igreja acabe se comprometendo e se tornando mais engajada com a obra?

Em primeiro lugar, podemos colaborar dando o exemplo. Ou seja, se nos comprometermos com o trabalho do Senhor e demonstrarmos entusiasmo nessa empreitada, algumas pessoas serão impactadas pelo nosso exemplo. O exemplo é sempre mais eficiente do que o palavrório vazio! Em segundo lugar, podemos ajudar conversando pessoalmente com aqueles que não estão envolvidos. Nesse caso, ao invés de iniciarmos essa conversa com reprimendas, podemos oferecer para ajudar essa pessoa, perguntar pela vida e as lutas dela, pois talvez ela não esteja interessada no trabalho da igreja porque ninguém demonstrou verdadeiro interesse por ela! Assim, a conversa amiga pode ser um excelente começo. Terceiro, devemos nos lembrar de que a santificação é progressiva e que alguns, que atualmente parecem tão infantis, poderão amadurecer e se tornarem verdadeiras colunas do trabalho amanhã. Afinal de contas, Aquele que começou boa obra neles “há de completa-la até o Dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6).

Pr. Valdeci Santos

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