Você sabe o que é “Pecado”?

Você sabe o que é “Pecado”?

“…onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20)

Para a maioria de nós, cristãos, “pecado” é um termo de conceito bem definido. Trata-se de quebrar as regras estabelecidas por Deus. E desde pequenos aprendemos essa ideia, na medida em que somos conduzidos por pais e professores a aplicá-la à nossa realidade. Insultar o colega, desobedecer os pais e maltratar os animais são algumas inferências corretas que fazemos a partir da aprendizagem desse conceito.

No entanto, pecado não é menos do que quebrar a lei de Deus, mas é seguramente mais do que isso. E muitas vezes é justamente nesse ponto que nossa educação cristã foi deficiente. Desobedecer as regras estabelecidas por Deus é somente a manifestação exterior de um coração que deseja antes ocupar o lugar do próprio Deus. Eis, então, a essência de todo pecado: eu sigo minhas regras, porque desejo ser meu próprio deus.

Timothy Keller, no livro O Deus Pródigo, sintetizou bem esse conceito de pecado como algo mais do que quebrar leis. Ele escreveu: “Quase todo mundo define o pecado como uma violação na lista de regras. Jesus, no entanto, nos mostra que um homem que quase nunca violou a lista de maus comportamentos morais pode estar tão perdido espiritualmente quanto o mais devasso e imoral dos homens. Por quê? Porque o pecado consiste não apenas em quebrar regras, mas também em se colocar no lugar de Deus, como salvador, senhor e juiz”.

Portanto, quando corretamente definimos pecado não somente como desobediência, mas especialmente como autoidolatria, nossa compreensão tanto do estado em que se encontra a humanidade quanto da graça de Deus em Jesus é amplificada. E esse conceito ampliado, aprofundado, nos impacta de pelo menos três maneiras.

Em primeiro lugar, o legalismo religioso perde espaço em nossa comunhão com Deus. Uma vez que nos vemos como pecadores não apenas em nossos atos externos, mas sobretudo em nosso coração – desejos, sentimentos e pensamentos corrompidos –, percebemos que não há nada em nós que não esteja contaminado pelo pecado, nem mesmo nossos atos mais piedosos. “Não há um justo, nem um sequer […] não há quem faça o bem…” (Rm 3.10,12). Diante de Deus, todos estamos de mãos vazias.

Em segundo lugar, a percepção da graça de Cristo é amplificada em nossa vida. Sendo assim, percebendo nossa real condição diante de Deus, passamos a enxergar a grandeza da graça de Cristo, expressa por meio de sua vida de obediência total a lei de Deus e sua morte substitutiva. Cristo fez o que não conseguimos fazer e ainda assumiu a culpa por nossos pecados. Viveu e morreu em nosso lugar.  

Em terceiro lugar, o relacionamento com o nosso próximo é pautado por humildade, amor e perdão. O resultado desse entendimento sobre quem de fato somos e sobre o que Cristo fez em nosso lugar nos conduz a uma vida de humildade, cheia de amor e perdão ao próximo, tornando-nos mais misericordiosos com os erros e pecados das outras pessoas. Vemos, afinal, que todos participamos da mesma natureza e carecemos da mesma graça.

Compreender, então, a essência e a extensão do pecado é o primeiro passo para enxergar a riqueza da graça que há Cristo. E esse entendimento mais profundo corrige nossa percepção de nós mesmos e transforma nosso relacionamento com Deus e com o próximo.

Eron Franciulli Coutinho Jr 

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